segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Produtividade e inflação

 

Qualquer um que entenda o mínimo possível de economia sabe que o aumento de renda de uma população desacompanhado do respectivo aumento de produtividade e/ou produção é uma fonte natural e incontrolável de inflação e de desabastecimento.
Transferir dinheiro para quem praticamente não tinha renda alguma, eleva enormemente o poder de compra dessa gente, crescendo o consumo de produtos principalmente da cesta básica, que por sua vez, é composta de produtos que não sofreram acréscimo de produção. Nesse caso, cobre-se um santo (ajuda aos necessitados) e descobre-se outros (inflação e desabastecimento). 
Vamos supor que 100 toneladas de arroz sustente precariamente uma população pobre de certa região. Recebendo auxílio governamental cada família multiplica a sua capacidade de compra de arroz em três vezes. Como isso acontece com todas as famílias da região, o consumo disparará e o arroz irá faltar e o pouco que se poderá encontrar deverá estar custando muito mais caro, ou seja, inflação e desabastecimento do arroz. O mesmo se sucederá com todos os outros produtos da cesta básica.
Diante de tal fato, os assistencialismos sociais prometidos pelos candidatos à presidência da República (Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes etc.) deveriam estar acompanhados também de promessas de elevação da produção dos componentes das cestas básicas. Como não fazem essa promessa, prometer também que irão reduzir a inflação dos alimentos é uma falácia.

domingo, 28 de agosto de 2022

Violência contagiosa

Um exemplo recente de pânico coletivo, ainda vivo na memória das pessoas, é o que a mídia nacional e internacional fez nascer e crescer no povo em relação à covid-19. 

As notícias davam mais importância às mortes do que ao risco que a doença representava - cerca de 1,2% dos doentes morriam -, com a intenção nítida de assustar e aterrorizar por um motivo não bem esclarecido. Outras doenças com maior incidência de mortes não receberam, na mídia, o mesmo tratamento; sequer eram mencionadas durante a pandemia. Covid-19 passou a ser a única preocupação.

Daí, a orientação do "fique em casa" como meio de evitar o contágio e a disseminação do coronavírus foi prontamente obedecida pela população. A psicologia nos ensina que pessoas com medo e em pânico são mais obedientes. O convencimento foi tal que o medo da doença superou o medo de perder emprego e renda. Diziam que o emprego, a renda e a economia do país ficariam para depois.

O depois chegou, os empregos e renda não! Os auxílios emergenciais vieram para dar certo apoio aos infelizes submissos. Mas, com o decorrer do tempo os empregos estão sendo recuperados, as rendas também e, no entanto, mesmo com as vacinas, a covid-19 continua em estágio de matança nos noticiários.

Segundo a cientista Sherry Towers*, esse espalhamento do pânico descontrolado aconteceu exatamente como uma epidemia com alastramento estimulado, nesse caso, pela mídia. Os estudos dessa pesquisadora levam a acreditar que comportamentos como pânico, medo e violência são contagiosos e, para tanto, a participação da mídia - ou divulgador - é fundamental.

Uma pessoa mentalmente equilibrada na presença de uma em pânico ou medo tende a absorver esses comportamentos e transmiti-los adiante. Para reforçar a ideia vamos a um exemplo usando o relato de uma pessoa medrosa como disseminadora do medo: "quando eu passei naquele lugar à noite ouvi um som estranho e fiquei sabendo que ali um homem se matou há cerca de uma década, fiquei com muito medo e corri". Ouvindo essa narração acredito que ao passar por esse lugar irá dela se lembrar e também ficará com medo. Aquele que te contou a história comporta-se de modo análogo ao da mídia. Se não tivesse sabido da história ou se o relato tivesse ocorrido sem conotação de temor, passaria pelo lugar tranquilamente e em paz.

Quando a mídia noticia o tempo todo fatos de violência acompanhados de observações do tipo "que absurdo!", "é muita crueldade", "os bandidos estão todos soltos", "mata-se em todo lugar (rua, sítio, residências, clubes, no interior do próprio carro - ideias reforçadas principalmente pelo repórter Datena)", "mata-se por nada", "a lei não é aplicada" etc. acabamos incorporando certa violência porque gostaríamos de "matar esses bandidos", "prendê-los e nunca mais soltar", "levá-los para longe de você" etc. De algum modo, a reação à violência costuma ser uma forma, mais branda, mas também de violência. Exemplificando: quando um assaltado reage ao assalto atirando ou lutando ou empurrando o assaltante está praticando violência. A violência do assaltante desperta a violência do assaltado!

Além dessa forma de disseminação contagiosa da violência tem os que, mesmo vivendo em paz, entram no mundo da violência estimulados pela mídia. Um rapaz, menor de idade, sabendo que outros, da idade, roubaram celulares e não ficaram presos apesar de detidos pela polícia, se encoraja para fazer o mesmo. Como o próprio noticiário dá ênfase, o menor de idade é imputável!

Como atenuar esse problema ou anulá-lo? 

A meu ver, a mídia deveria apenas noticiar e se restringir a isso sem repetições intermináveis. A notícia de um crime na TV costuma ser dado com muito alarde, sensacionalismo e exibição marcantes no período da manhã, da tarde e da noite e vira manchete de jornais e rádios. 

(*) Sherry Towers é uma estatística e cientista de dados americana e canadense e que trabalha na Alemanha.


segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Avaliação e BNCC

     Tenho acompanhado de perto as mudanças propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tanto em palestras como nos materiais especialmente produzidos sobre ela.
     A BNCC estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade básica. 
     Até 2022 a reforma deverá estar completamente implantada - segundo as previsões atuais! - quando, então, o jovem poderá optar por uma formação técnico-profissional dentro da carga horária do Ensino Médio, sendo 1.800 horas-aulas dedicadas ás áreas do conhecimento e 1.200 horas para os itinerários formativos, totalizando 3.000 horas. 
Atualmente (2019) são 800 horas/ano em 200 dias letivos, totalizando nos três anos 2400 horas-aulas. Portanto, um adicional de 600 horas-aulas repartidas entre os três anos do Ensino Médio.
     Segundo as declarações dos divulgadores, considerados como interpretadores da BNCC, o aluno passa basicamente da condição de passivo para a de ativo - protagonista - na aprendizagem e, ao mesmo tempo, responsável pela decisão que irá tomar na sua formação no Ensino Médio ao selecionar seus itinerários. Para tanto, será adequadamente preparado no Ensino Fundamental.
     As escolas até agora apoiaram-se em disciplinas estanques (Português, Matemática, Ciências, Filosofia ...) e muito conteúdo - chamadas, por isso, de "conteudistas - no seu trabalho educacional. 
     De modo geral, predomina o ensino isolado de cada disciplina e poucas e raras interdisciplinaridades são, ou foram, concretizadas entre uma e outra. Em filosofia só se ensina filosofia, em matemática só matemática e assim por diante. Os professores dessas disciplinas são os chamados de "especialistas"; o ensino é fragmentado e poucos são os momentos holísticos nas escolas. A partir de 2022 os ensinos serão por áreas de conhecimento, o que exige interdisciplinaridade e multidisciplinaridade. Para atingir esse estágio de ensino os professores "especialistas" deverão alterar radicalmente suas práticas em aula. No mínimo, terão de ser polivalentes.
     Teremos professores nessa nova situação? Sim, desde que devidamente qualificados. E aí está o grande problema: como qualifica-los em tão pouco tempo?

     A partir de agora, além do conteúdo, as escolas deverão também voltar suas atenções para as competências socioemocionais - aptidões não cognitivas que dizem respeito como os alunos se relacionam com o mundo e o mundo com eles.
     Surgem, então, as listas dos grupos de competências, tendo como base a Inteligência Emocional de Daniel Goleman (psicólogo canadense): amabilidade, engajamento, resiliência emocional, autogestão e abertura ao novo.
     Amabilidade como sendo a competência de relacionamento pessoal incluindo empatia, respeito, ética e confiança; 
     Engajamento como iniciativa pessoal, a assertividade e o entusiasmo; 
     Resiliência emocional habilidade que incentiva a autoconfiança e a tolerância ao estresse e à frustração; 
     Autogestão como ter foco, responsabilidade, determinação e persistência; 
     Abertura ao novo inclui curiosidade para aprender, imaginação criativa e interesse artístico.
     Acredita-se, por princípio, que as escolas trabalhando conteúdo e competências socioemocionais com todas as suas habilidades estarão formando integralmente o cidadão do futuro, isto é, preparando os educandos para a vida atual e a que está por vir.
     Um dos aspectos que a escola tem, de início, é a de dar atenção, nessa nova visão educacional, ao processo de avaliação e a mensuração educacional. Hoje, o aluno tem a sua avaliação atrelada principalmente às provas, trabalhos que produz a eventos das quais participa. De modo geral, a avaliação é concentrada no conteúdo aprendido e apreendido e tudo é transformado em uma nota.
     A BNCC, além do conteúdo, trata de competências e habilidades: como avaliá-las? 
     Como avaliar competências e habilidades quando, por séculos, só se avaliou conteúdo? 
     É claro que existe processos para avaliar competências mas que estão sob domínio de pouquíssimos profissionais da educação. 
     Acontece, que o professor deverá, a partir de 2022, avaliar competência em todas as escolas e todos os bimestres e graus de ensino. 
     Algo deve ser feito para superar esse obstáculo.
     Acredito que aí está o nó górdio da reforma!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Feijão da política!

Vamos supor que dispomos de uma tonelada de grãos de feijão colhida há muito tempo e resultante de uma safra prejudicada por colheita malfeita, com desrespeito aos procedimentos agrícolas recomendáveis, conservados em armazéns impróprios e transportados de modo inadequados. 
Esse feijão destina-se à alimentação de uma população humana, de uma cidade brasileira, por aproximadamente três meses.

Em consequência do manuseio incorreto temos poucos grãos íntegros, ideais para o consumo humano. Grande parcela desse lote de feijão encontra-se deteriorada, por diversos motivos.

Esses grãos podem apresentar os seguintes danos:
1- carunchados (ou gorgulhados). Grãos perfurados pelos carunchos, contendo fezes, urina e secreções desses pequenos animais.
2 - embolorados (contaminados por fungos). O bolor se desenvolve em grãos estocados com umidade acima da aceitável. Alguns desses fungos secretam uma toxina, a aflatoxina, resistente ao cozimento, de elevada toxidez e que pode causar câncer no fígado.
3 - quebrados com regiões de apodrecimento. Falta parte do grão e a superfície de fratura apresenta-se escura.
4 - com os cotilédones separados, isto é, grãos partidos ao meio,
5 - vazios, sem conteúdo. Só restou a casca. Por algum motivo perderam o conteúdo,
6 - engorovinhados*, isto é, grãos poucos desenvolvidos (pequenos) com rugas e vincos na superfície. Esse tipo de grão costuma interferir negativamente no sabor do feijão cozido.

Diante dessas condições, o que normalmente se faz é submeter o feijão ao processo de escolha (ou de seleção). Nesse processo, o feijão é separado em grãos inteiros (íntegros) e grãos a serem descartados, os danificados.

Após a "escolha" nota-se que a sobra é insuficiente para nutrir a população, em decorrência do descarte de grande quantidade de grãos deteriorados. Ao final, quase nada é aproveitável.

Feito o cozimento dos grãos melhores, o que se nota é que a quantidade de feijão cozido é suficiente para nutrir as pessoas por apenas uma semana. E a necessidade é de três meses. 
O feijão pronto é de baixa qualidade pois trata-se de um feijão velho, que após cozimento fica com consistência acima de "ao dente".
O sabor não é agradável e a tendência é a de que as pessoas o rejeitem no prato. Desse modo, boa parte dele será deixado de lado e descartado como resto de alimento, depois de tanto trabalho e gasto.
Por fim, muito se despendeu em dinheiro e tempo, para uma quantidade insatisfatória de alimento!

Diante disso, o remédio é dar um jeito nesse feijão, já que não se dispõe de outra fonte.
Então, fazer o quê?

Aproveitar alguns grãos que foram descartados, ou seja, fazer uma nova escolha, menos rigorosa. Com isso, a quantidade garantirá boa parte da nutrição desejada, apesar de não ser a ideal. Daria para alimentar as pessoas adequadamente por um tempo inferior ao que se desejava.
Descartar, sem nenhum reaproveitamento, os grãos embolorados (podem causar sérios danos à saúde daqueles que consumirem o tal feijão).
Cozinhar o feijão com alguns dos gorgulhos porque a presença deles (insetos) aumenta o teor proteico do alimento, sem alterar o sabor, ou seja, eleva a qualidade nutricional do alimento. É um ato que contraria a nossa tradição alimentar pois fará com que as pessoas consumam alimento bichado.
Carregar no tempero para tornar esse feijão mais palatável (saboroso ou aprazível ao paladar)

Essa descrição foi um recurso que decidi usar para, de modo didático, analisar a nossa situação eleitoral atual, segundo o meu ponto de vista.
Acredito que estamos exatamente como descrevi sobre o feijão para a nutrição de brasileiros por algum tempo.
Nossos políticos estão malcuidados, praticamente não temos nenhum íntegro, totalmente probo, irrepreensível na sua conduta; honesto, incorruptível. Muitos faltam com a verdade! Aliás, a verdade é a primeira vítima no período eleitoreiro.
Insisto em dizer que só não encontramos corrupção onde não a investigamos ou procuramos.
A grande maioria deles é de velhos políticos tentando a reeleição. No geral, estão mal-intencionados com relação aos cargos para os quais se candidataram e as intenções não são exatamente aquelas que divulgam durante a campanha.
Deverão ser preparados (temperados e cozidos adequadamente) para serem aceitos e não poderemos ser rigorosos nas escolhas porque, se assim procedermos, não sobrará nenhum. Como prepará-los? Eles só funcionam sobre pressão popular, da mesma forma que o feijão só fica bem cozido em panela de pressão. 
A última vez que vimos isso foi quando, sobre pressão popular, aprovaram a Lei da Ficha Limpa.
Alguns devem ser, a princípio, descartados. Não devem estar na vida de ninguém pois são altamente prejudiciais.
(*) Também se usa engruvinhados.

sábado, 15 de abril de 2017

Antidemocracia e sindicatos

Todas as vezes que alguém ou grupo de pessoas aparecem tentando acabar com a Contribuição Sindical (recolhida uma vez por ano e corresponde à remuneração de um dia de trabalho) os sindicatos e centrais sindicais se mobilizam contra, e, até agora, conseguiram sempre abafar no nascedouro essas revindicações. Como consequência, tudo continua como foi criado desde Getúlio Vargas.
O dinheiro que recebem é uma fortuna e podem fazer o que bem quiserem dele, já que não têm obrigação alguma de prestar contas. São bilhões de Reais transferidos dos trabalhadores para essas centrais sindicais e os sindicatos.
O número enorme de sindicatos que o Brasil tem apresenta em comum, em suas origens, a intenção de participar da repartição dessa dinheirama toda. Pura ganância; forma de ganhar dinheiro sem ter que trabalhar.
Defender os trabalhadores?!?! Ora!
Surpreendentemente foram divulgadas nas delações premiadas da Odebrecht que a empresa pagava para os sindicato e centrais visando controlar os movimentos dos trabalhadores. E obtiveram sucesso.
Recebem dinheiro da Contribuição Sindical (que não é pouco) e propinas dos patrões para desencorajarem as paralisações dos trabalhadores. É assim que dizem defender os interesses dos trabalhadores.
A Contribuição Sindical é essencialmente antidemocrática, pois obriga os trabalhadores a colaborar para a manutenção de sindicatos com as quais não têm nenhuma afinidade.
Essa Contribuição só existe porque os sindicatos e centrais são incapazes de se apresentar como representantes autênticos do trabalhador comum, do qual deveriam vir, por livre vontade, os recursos que lhes asseguram a sobrevivência.
Desse modo, em vez de lutarem para se tornarem sindicatos de verdade, lutam para assegurar o direito de participarem da partilha do bolo da Contribuição Sindical.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Debate inútil sobre educação!

As nossas escolas, nos dias atuais, oferecem aos seus alunos do Ensino Básico, aulas de Geografia, História, Português, Matemática, Física, Química, Biologia, Sociologia, Filosofia, Ciências, Línguas estrangeiras, Artes, etc.
Ao final do período letivo notamos que o número de faltas da grande maioria dos alunos é pequeno, quase nulo. As faltas se concentram em pequena minoria.
Portanto,grande parcela dos nossos jovens estão presentes em sala de aula praticamente todos os dias, perante os professores.
Quais os resultados dessas aulas?
Desanimador.
Tantas aulas, tantos professores, tanto tempo em bancos escolares e os resultados mostrados nas avaliações são humilhantes, para não dizer vergonhosos. Um verdadeiro desperdício de tempo, dinheiro e trabalho.
Basta observar as avaliações brasileiras e internacional (SAEB, ANEB, SARESP, PISA etc.) para constatarmos o quanto os nossos alunos estão verdadeiramente aprendendo.
Esse trabalho de ensino do professor - não vou dizer do educador - está sendo infrutífero, infelizmente.
Essa é a nossa triste realidade.
Algo tem que ser feito; ficar do jeito que está não pode!
Não é ter essa ou aquela disciplina no currículo que irá resolver o problema; afinal, essas disciplinas estão atualmente no currículo e mais serviram para garantir salário de professor (que não é dos melhores) do que qualidade de ensino. Se Sociologia ou Filosofia passam a serem obrigatórias ou não, pouco importa. Hoje elas são impostas e os resultados mostram que a obrigatoriedade não tornou melhores os nossos alunos ou melhorou a educação. Aumentar o número de aulas de Português e de Matemática não fez com que o nosso aluno entendesse melhor os textos e nem acertasse nas contas.
A discussão deveria girar entorno de QUALIDADE de ensino, busca de resultados educacionais melhores, eficácia de ensino, que o aluno se beneficiasse mais da escola que frequenta.
Parem de discutir sobre ter escola com ou sem partido; do que adianta tal discussão se 3 milhões de jovens não frequentam a escola e os que frequentam constituem uma massa gigantesca de analfabetos funcionais !!!!!!!!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Lá como cá!

Desde antes da Revolução de 1930, segundo o sociólogo José de Souza Martins, protesto é questão de polícia.
Estou me referindo à reação da polícia no último protesto dos estudantes, na Av. Paulista, contra o remanejamento das escolas com desativação de algumas delas, para 2016.
Os professores não foram, desta vez, os fomentadores do movimento. 
Ele surgiu dos próprios estudantes como resposta às propostas de remanejamentos de escolas, com o fechamento de algumas, do governo do Estado que colidiam com o modo de vida e a mentalidade deles e das suas famílias.
Então, decidiram ocupar, inicialmente, as escolas que seriam descartadas e posteriormente as que, nos planos, não seriam fechadas.
Não foi necessária a presença da polícia quando estavam dentro das escolas a não ser nas imediações para evitar depredações e agressões. A ocupação foi passiva.
Os alunos que estavam em séries terminais, como terceiro colegial, reagiram porque estavam sem aulas, não terminariam o ano letivo e sem o diploma estariam impedidos de ingressarem em faculdades. O conflito passou a ser, então, entre estudantes dentro das escolas. E a polícia teve de intervir porque as reações foram agressivas e violentas.
As manifestações contra a ação dos policiais foram amplamente criticadas nas redes sociais. Todos considerando um absurdo a polícia algemar e prender estudante.
Cá entre nós, quando dois grupos estão brigando o que se faz para separá-los? Será pedindo LICENÇA, POR FAVOR, SENDO POLIDO E EDUCADO... ?
Como o movimento estava perdendo força, instruídos por entidades não estudantis, articularam-se com entidades de focos de tensão social, completamente estranhos ao movimento e foram às ruas. Assim fizeram. Bloquearam ruas e avenidas com carteiras e cadeiras e muitos transtornos para o trânsito, ou melhor, locomoção em São Paulo.
Aí a polícia mostrou quem é o educador e mostrou que entre nós educar ainda é enquadrar, da mesma forma que muitos professores querem o tempo todo enquadrar os seus alunos e se desgastam, estressam, entram em depressão e sofrem de todos os males possíveis quando insistentemente seus alunos não os atendem, se recusam a se enquadrarem.
Enquanto a polícia usa cassetete e bombas de gás lacrimogênio para enquadrar, o professor hoje está impedido de usar régua, palmatória, tapa etc. Nesse ponto ele leva nítida desvantagem em relação ao policial, desde que se queira ENQUADRAR.
Tudo isso significa um recuo no que se pensa de mais atual em educação. É triste testemunhar tudo isso.


domingo, 29 de novembro de 2015

Drogas agitando o mundo

Quando dominaram os povos da região do Peru, os espanhóis notaram que os nativos (Incas dos Andes) mascavam folhas de coca durante as cerimônias religiosas. 
Perceberam que as pessoas ficavam mais atentas, ativas e condescendentes em demasia e por muitas horas - praticamente o dia todo - sem consumirem alimento durante a mascação das folhas de coca.
A partir dessa constatação os soldados espanhóis decidiram tirar proveito dessas qualidades da coca.
Deliberaram, então, que os nativos passassem a mascar folhas de coca durante os trabalhos forçados a que foram submetidos. Com isso, tornaram os nativos mais fáceis de serem controlados, explorados e dominados e de baixo custo porque comiam muito pouco.
A coca tornou-se um produto altamente lucrativo pois aumentava a produtividade do trabalhador - trabalhava mais tempo - com baixo custo de comida. Além disso, a coca, como matéria prima tinha custo zero pois era cultivada em todos os cantos.

Na 2ª Guerra Mundial os aliados e os nazistas fizeram seus soldados consumirem, sem saberem, anfetaminas para que ficassem sem sono e sem fome, além de se sentirem com mais energia para as batalhas longas e dolorosas. Para muitos soldados drogados a guerra era uma farra.

Recentemente chega-nos a notícia que uma nova droga (diga-se pseudo nova droga), batizada de Captagon (nome científico fenetilina), também chamada de "droga do terror", está sendo distribuída entre os militantes do Estado Islâmico.
Cabe informar que o Captagon é um estimulante em comprimidos e que tem em sua composição a antiga anfetamina.
É fornecido fartamente para os militantes que vão entrar em ação para que fiquem mais atrevidos perdendo o medo e não sentindo fome quando em ação.
Afinal, quando a droga é boa e quando é ruim? Tudo depende da finalidade do seu uso.
A foto a seguir é da captura de uma carga de Captagon que iria para os Jihadistas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Desvio de funções.

O STF (Superior Tribunal Federal), ao aprovar recurso, liberou as Guardas Municipais das cidades a também lavrarem multas de trânsito. Perfeito!
Decorrente desta decisão, passamos a ter como vigilantes do trânsito os Policiais Militares, a Polícia Federal (PRF) os Amarelinhos e as Guardas Municipais. 
Acho que nada no Brasil é tão fiscalizado.
Enfim, nada mais correto que os infratores das normas do trânsito receberem o merecido castigo. Aliás, no  Brasil, os que infringem as leis, principalmente as de trânsito, não são poucos. Ou melhor, são raros os motoristas isentos de falhas.
Defronte a escola que dirijo, numa avenida movimentada aqui em Campinas, testemunhamos diariamente, no mínimo, mais de uma dezena de desrespeitos às leis de trânsito, num trecho não superior a 50 metros. Imagino o que deve estar acontecendo nas outras vias da cidade, nas outras cidades, nos outros Estados....! Em Brasília!
A única preocupação que se evidencia na decisão do STF é o desvio de função.
A Guarda Municipal foi criada com a função de tomar conta do patrimônio público e, por causa disso, seus componentes permanecem vigiando os Postos de Saúde, Hospitais Municipais, Praças, Escolas e Parques e outros lugares considerados merecedores de preservação.
Com essa nova função - a de multar no trânsito - as Guardas Municipais podem se desviar das funções para as quais originalmente foram criadas, ou seja, serem deslocadas das Escolas, Parques e Praças para fiscalizarem o trânsito. 
Esse desvio de função não é tão difícil de acontecer porque as prefeituras estão com queda acentuada de arrecadação dos impostos em consequência da crise econômica do Brasil e as multas representam uma arrecadação expressiva sem a possibilidade de manifestações contrárias. 
Conseguir receita extra por meio de multas é mais fácil do que aumentar impostos ou taxas que, caso sejam tentadas, ocasionam movimentos contrários e manifestações estrondosas e inconvenientes, além de farto noticiário e exposição negativa do prefeito.
Pelo visto, as Prefeituras encontraram uma solução silenciosa e que cala a boca de qualquer manifestante contrário para recompor sua arrecadação.
Parabéns senhores prefeitos!
Para se ter uma ideia das proporções das multas basta ver o que aconteceu no primeiro semestre deste ano na cidade de São Paulo: mais de 100 mil multas. 
Você tem ideia de quanta arrecadação isto representa? 
Tente imaginar o que acontecerá com o aumento do contingente dos fiscais com o acréscimo da Guarda Municipal. E acrescente-se a isso a redução da velocidade máxima nas marginais Tietê e Pinheiros com mais radares instalados. A Prefeitura estará numa fartura nunca vista de dinheiro proveniente de multas.
E não me venham dizer que não existe indústria da multa.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Primeiro que apareceu



     Dirigindo o meu velho Opala, acompanhado do Carlucho (in memorian), professor de Física, numa tarde ensolarada de sábado retornávamos de Marília, ansiosos por chegar em casa, após termos dado aulas naquela manhã. Ele costumeiramente era meu caronista. 
     A viagem de Marília até Ribeirão Preto, onde morávamos, durava, na época, cerca de 5 horas. A estrada era esburacada, muito movimentada por caminhões de cana e de laranja e de pista simples. Pouquíssimas chances de ultrapassagens nos quase 300 km de distância.
     Depois de trabalhar a semana em diversas cidades como São José do Rio Preto, São Carlos, Araraquara e, por fim, Marília, eu e o Carlucho só tínhamos um desejo: chegar em casa para curtir o final de semana. 
     O nosso final de semana era curto porque durava das 17h de sábado, quando chegávamos a Ribeirão, até a segunda de madrugada (mais ou menos 3h 30min) quando saíamos para São José do Rio Preto onde tínhamos que estar para a primeira aula da segunda-feira, as 7 horas.
     Pois bem, numa destas viagens de retorno de Marília, próximo à cidade de Itápolis, fomos parados por Policiais Rodoviários de um posto a beira da estrada. Estas paradas sempre nos chateavam porque significavam retardar a nossa chegada. A única parada programada era para o almoço num restaurante próxima à cidade de Guarantã.
     O policial pediu-me os documentos e depois de constatar que estavam em ordem fez a seguinte acusação:
- Estava em velocidade acima da permitida naquele trecho, apontando a longa descida lá atrás, por onde havia acabado de transitar.
- Eu costumo controlar a velocidade e acho difícil que isto tenha ocorrido, já fora do carro.
- Está vendo aquela pedra branca lá no topo da estrada, no acostamento? disse o policial.
- Sim.
- Lá no pé da descida, sobre uma árvore, tem uma pano vermelho. Vê ele?
- Sim.
- Note, também, que na pista tem uma faixa branca pintada ao lado da pedra e outra, da árvore. A distância entre as duas faixas é de 1.000 metros e, para melhor visualiza-las no binóculo, colocamos a pedra e o pano vermelho.
- Quando o senhor passou pela pedra acionei o cronômetro e o desliguei quando passou pelo pano vermelho.
- Hummmm.
Mostrando-me o cronômetro comentou,
O senhor percorreu o trecho em alguns poucos segundos (não me recordo exatamente dos números) e isso significa que estava a aproximadamente 102 km/h quando o limite é de 100 km/h. Na época não existiam os radares e as multas por excesso de velocidade eram assim realizadas.
- Quando eu descia pela estrada fui ultrapassado por uma camionete e o senhor não a parou. Deveria te-la parado. Com certeza ela estava em velocidade superior a minha!
- O senhor foi o primeiro que apareceu no topo da estrada e o seu carro foi o que segui. Sei da sua velocidade no percurso. Também o vi sendo ultrapassado mas, como não o estava acompanhando o outro, nada fiz. E nada poderia fazer porque não teria uma velocidade cronometrada para lançar na multa enquanto a do senhor eu tenho. A lei exige isso.
Ouvindo a conversa, o Carlucho mostrou para ele as contas sobre a velocidade percorrida e deixou o policial em dúvida. Lembro-o que não era possível tamanha precisão de cálculos. Impressionado com a aula que o Prof Carlucho deu a ele, nos perguntou o que éramos.
O Carlucho respondeu que "somos professores, demos aulas hoje de manhã em Marília e agora são 15h e ainda estamos na estrada e loucos para chegar em casa. E essa parada está nos retardando por no mínimo 30 minutos".
Foi então que ele, surpreendendo, nos cumprimentou por sermos professores, teceu uma série de elogios para a nossa profissão e confessou o quanto admirava os professores e, não lavrou a multa.
Desejou-nos boa viagem e nos liberou.
O pessoal do PT vive se queixando que os outros partidos também fizeram as mesmas falcatruas, acusando diretamente o PSDB. O Lula não cansa de dizer que o PT está sendo perseguido nas investigações enquanto os outros partidos, não. 
SERIA BOM ALGUÉM DIZER A ELE QUE ELE FOI O PRIMEIRO QUE APONTOU, ou se mostrou, NO TOPO DA CORRUPÇÃO.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Dinheiro carimbado

          Dizendo que estariam garantindo os recursos necessários para a melhoria de áreas específicas que se encontram sob responsabilidade do governo, os políticos, principalmente em época de eleições, apresentam e aprovam leis que destinam  porcentuais fixos da arrecadação para essas áreas.

          Um exemplo marcante disso foi a aprovação recente de 10% do PIB para a área da educação. Buscando ganhos eleitoreiros, os políticos, assim que a lei foi aprovada, apresentaram-se como defensores das causas públicas evidenciadas nas manifestações que se iniciaram em junho de 2013 e continuaram até pouco antes do início dos jogos da Copa (junho/2014). Atualmente vivemos um período de quietude, sem manifestações. Tive a oportunidade de observar, por muitas vezes, fotografias estampadas em jornais e revistas de jovens com cartazes ou faixas cobrando o aumento das verbas para educação, os tais 10% do PIB. Assim, a educação passaria a ter "padrão FIFA"!

          Agora, em campanha para reeleição, estes mesmos políticos adotaram como bandeira a votação favorável dessa lei. Muito provavelmente serão reeleitos devido ao forte poder apelativo da educação amparada por verba polpuda. Nos programas políticos da TV que tive oportunidade de assistir, os candidatos à reeleição garantiram que com tanta verba a educação nacional, sem a menor dúvida, terá melhoras expressivas nos próximos anos. Afinal, o governo passará seus investimentos em educação de 5,7% para 10% do PIB, o que significa, em dinheiro, de R$ 27 bilhões para R$ 48 bilhões.

          O incremento das verbas educacionais será gradativo - para não "quebrar" o governo! - até 2024, ano que chegaremos aos tais 10%.

Durante os últimos 20 anos os governos municipais, estaduais e federal têm aumentado os gastos com educação na expectativa de que aumentando os investimentos haveria, como consequência natural, um avanço na qualidade de ensino, o que não ocorreu. Ao contrário, a qualidade está decaindo avaliação após avaliação e os custos cada vez maiores. Observe os resultados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2013.

Em outros tempos, os legisladores aprovaram 5% do ICMS do Estado de São Paulo para as universidades públicas estaduais paulistas (USP, UNICAMP, UNESP).

No Congresso existem discussões para uma reserva de 1% das receitas (da União, Estados e Municípios) para programas de habitação popular. Também estão negociando uma verba de 7% para saúde. E vários outros projetos estão sendo propostos e discutidos.

Esse tipo de legislação gera uma receita chamada "receita vinculada" ou "dinheiro carimbado" porque tem destinação única (não pode ser usada para nada além daquilo para a qual a lei determina) e, no seu princípio, garante a verba necessária para essas instituições. Além disso, depois de aprovada não tem como voltar atrás e desfazer o que foi decidido.

Atualmente, 87% das verbas da União são "vinculadas", ou seja, gasto obrigado por lei com dinheiro cujo destino é predeterminado e que não pode, em hipótese alguma, ser usado para outro fim. Diga-se, de passagem, um porcentual elevadíssimo.

O problema que vejo nesse tipo de ação é que dinheiro garantido sem contraprestação e em grande quantidade sem boa administração estimulará o desperdício e não garante resultados positivos além de favorecer a corrupção.

Não é de agora que as universidades estaduais paulistas (USP, UNICAMP, UNESP) estão com grandes problemas de caixa por apresentarem despesas superiores ao que recebem pelos 5% do ICMS. Fazem greve e pressionam o governo paulista para elevar esse porcentual. Acontece que o Brasil está passando nos últimos três anos por uma queda acentuada na economia e, por consequência, redução do recolhimento do ICMS. Como os reajustes salariais dessas entidades foram superiores aos da inflação e o crescimento do ICMS bem abaixo dela o "dinheiro carimbado" para as universidades não cresceu na mesma proporção dos reajustes concedidos. Em alguns casos até encolheu! É claro que chegaria a condição que hoje se encontram, de insolvência.

O dinheiro carimbado só é bom desde que a arrecadação não diminua. E essa diminuição vem acontecendo em muitos municípios e vários estados acarretando sérios problemas administrativos.

Com a intenção de aumentar a arrecadação alguns municípios e estados passam a conceder incentivos fiscais para que indústrias se instalem em seus territórios.

As indústrias, nesse caso, ficam isentas de impostos e taxas. O estado e o município que concederam essa concessão aumentam suas arrecadações por meios indiretos. O índice de empregos aumenta por consequência da instalação da indústria e a massa salarial incrementa o consumo na região e, com o aumento das vendas do comércio, os governos passam a arrecadar mais e não resistem a "vincular verbas".
 
O estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, ofereceu tantas vantagens para a GM que ela instalou uma montadora no estado. Com isso, a arrecadação do município privilegiado aumentou muito porque os salários dos empregados da GM circulando pela cidade incrementou o comércio e venda de imóveis e o município melhorou seu atendimento ao munícipe. Tudo estava uma maravilha! Agora, com a queda da arrecadação pela diminuição assustadora de vendas de veículos, o município viu sua arrecadação cair pela metade e, por consequência, não consegue mais dar conta dos compromissos assumidos. E o prefeito vai até Brasília pedir ajuda federal. Episódios como este estão ficando cada vez mais frequentes no Brasil.

Na verdade, ENGANAM-SE AQUELES QUE LUTAM POR DINHEIRO CARIMBADO achando que com ele os problemas serão resolvidos!


 




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O problema da água se chama Homo sapiens.

Diante da atual escassez de água temos, obrigatoriamente, que pensar demoradamente sobre esse assunto, refletindo profundamente e considerando o maior número possível de fatores e agentes que nos levaram a essa situação desesperadora.

As cidades, em sua imensa maioria, nasceram em margens de rios porque o rio representava fonte permanente de água, um bem essencial, e um meio acessível a todos para deslocamentos e transportes com o uso de embarcações. O custo do transporte simples em rios é nulo bastando, para tanto, um tronco de árvore trabalhado na confecção de uma canoa e uma vara para ser usada como remo. Com apenas esse tipo de utilização os rios se transformaram em bens a serem preservados com todo capricho.
 
Acontece, que os habitantes dessas povoações ribeirinhas, que se desenvolveram em grandes cidades, pouco ou nenhum valor deram a esse bem. Passaram a despejar nele os seus resíduos sólidos transformando-o em coletor de lixo. Era cômodo jogar o lixo no rio porque, levado pela correnteza, ele desaparecia da vista dando a impressão que o problema de destinação do lixo estava resolvido. Assim se sentiam conformados e confortados. O importante era se livrar do lixo! Ninguém, ou pouquíssimos, perguntaram "para onde está indo o lixo jogado no rio?".

Até hoje um número considerado de pessoas ainda continua usando o rio para se desvencilhar do lixo. Basta ver o Rio Tietê, o Tamanduateí, o Pinheiros com sacos de lixo boiando, poltronas, sofás, colchões e móveis velhos em suas margens além de quantidades incontáveis de garrafas pets flutuando e sacos plásticos.

A chuva que cai nas cidades também é muito bem vinda porque além de limpar o céu - as gotas da chuva carregam a poeira suspensa no ar para o chão - rega os jardins e áreas desocupadas e, ao originar enxurradas, carrega o lixo e a sujeira das ruas para os rios. Ou seja, a chuva lava a cidade levando embora a imundice e tudo aquilo que foi descartado nas calçadas, sarjetas e leito da rua. Até a poeira acumulada nos telhados!

Além disso, também os esgotos das cidades passaram a ser despejados nos rios. O leito do rio é a região mais baixa da cidade e, como o esgoto é aquoso flui por gravidade das regiões mais altas para as mais baixas através da rede de esgoto que termina em rios e córregos. No Brasil, estações de tratamento de esgoto ainda são exceções, raridades. Ou seja, continuamos despejando nos rios os esgotos in natura - do jeito que saem das residências -, poluindo-os assustadoramente.

Com lixo e esgoto o rio perdeu a nobreza, deixou de ser um bem a ser preservado, chegando a ser ruim para a cidade dada a proliferação de insetos, ratos nojentos, com sua água enegrecida e exalação constante de mau cheiro insuportável e, também, fonte de doenças.

Deixando de ser fonte de água consumível pelo homem, os rios das cidades, como fonte de água potável, foram abandonados e procurou-se água para consumo humano, em locais mais distantes, nos rios não poluídos que poderiam ser canalizados até as cidades. Para melhor proveito esses rios foram represados.

Com o aumento constante do consumo de água - as cidades estão crescendo - e a queda natural do índice de chuvas, a consequência inevitável é a falta d'água por momentos cada vez mais prolongados, tornando-se um problema grave no futuro pois, visto o desmatamento incontrolável e desmesurado que vem acontecendo, as chuvas se reduzirão ano após ano.

Um outro recurso de água potável é o lençol freático e o Brasil, nesse caso, é privilegiado porque possui nas profundezas do seu solo - principalmente na região de Cerrado - um depósito gigantesco conhecido como Aquífero Guarani, fonte das águas minerais que compramos.

Mas, o aquífero também está sendo comprometido! A irrigação das lavouras intensivas (agronegócio) é feita com água retirada do aquífero Guarani por meio de poços artesianos. E o consumo de água nessas áreas agrícolas é grandioso, de enormes proporções e, o resultado disso é o abaixamento do nível do aquífero. A subtração d'água do aquífero está se sucedendo em volume bem superior ao da recarga (reposição) que ocorre por infiltração das águas provenientes das chuvas no solo arenoso do Cerrado. Simplesmente porque as chuvas estão diminuindo.

Além disso, os lixões das cidades localizadas em regiões onde anteriormente era Cerrado (Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Uberlândia, Uberaba etc.), não receberam o tratamento adequado. Os chorumes oriundos desses lixões, material altamente poluente e contaminado, infiltram-se no solo arenoso e chegam a atingir o aquífero. Os agrotóxicos pulverizados nas lavouras são levados ao solo pela chuva e também se infiltram. Ou seja, estamos, na verdade, poluindo o aquífero!
Portanto, o problema não é a água, é o homem.

Perante tantos descasos o que se poderia fazer para resolver o problema, já sabendo que ele se agravará enormemente se nenhuma providência for tomada?

Sugiro:
1 - Preservar as áreas que abastecem o aquífero. Assim elevaríamos a reposição de água do aquífero Guarani.
2 - Já existe legislação a respeito mas nenhuma prefeitura tomou todas as precauções exigidas na construção de aterros sanitários. Deveria ser obrigatório cada município cuidar adequadamente do seu lixo - atualmente chamam de resíduo sólido.
3 - Programa de redução gradativa de poluição dos rios que passam pelas cidades. Londres e Paris conseguiram despoluir completamente seus rios. Despoluída, a água dos rios que passam por áreas urbanas poderia ser utilizada pelos cidadãos.
4 - Reaproveitar a água resultante do tratamento de esgoto em postos de gasolina (para lavar carros), irrigação de praças e água para descarga em sanitários. Processo conhecido por reuso.
5 - Educar o cidadão para que não jogue lixo ou qualquer outra coisa no rio e em nenhum outro lugar da rua ou da estrada porque esse material chegará ao rio carregado pela enxurrada das chuvas.
6 - Educar as pessoas para consumirem menos água. O cada cidadão europeu consome, em média, cerca de 110 litros de água por dia; o morador de São Paulo consome 205 litros por dia.
7 - Revisar o encanamento distribuidor de água nas cidades porque, por serem antigos, estão sujeito a muitos vazamentos, o que ocasiona perda expressiva de água.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A dignidade do mensageiro

Participei como ouvinte, debatedor e expositor de inúmeros congressos, palestras, encontros de divulgação de trabalhos científicos, principalmente na SBPC, e simpósios no período no qual fiz a pós graduação. Concluída a pós, com menor assiduidade, continuei a frequentar esses eventos. O último evento foi uma palestra dada por um membro da equipe de clonagem da Dolly.

Um fato marcante percebido na graduação, reforçado no período de pós graduação, durante as discussões calorosas que se estabeleciam em alguns daqueles eventos, é que no curso dos debates os participantes usavam argumentos tanto a favor como contra as ideias. Foi notório que os debatedores restringiam suas críticas aos pensamentos expostos pelo apresentador enaltecendo ou não o próprio pelos seus resultados alcançados nas pesquisas sem denegrir, de forma alguma, a pessoa do pesquisador, respeitando a sua individualidade, por pior que fossem as suas conclusões.

Dito de outra maneira, nunca ouvi críticas ou elogios dirigidos ao mensageiro (pesquisador) que comunica más ou boas notícias (conclusões dos pesquisadores).



Por outro lado, nos últimos 12 anos tenho notado declarações dos governantes desfazendo, desmerecendo e depreciando, até ofendendo, os seus críticos sem em momento algum argumentarem contra as críticas das quais são alvos, com a intenção de invalida-las e aniquila-las de modo incontestável e definitivamente, encerrando-se, assim, de modo decisivo o assunto.  Indo além, chegam até a sugerir legislação visando censurar a imprensa que, segundo eles, se atreve a divulgar o que chamam de disparates.

Assim procedendo, chamam de "pessimistas especializados em criar ambiente negativo", "torcida para o Brasil dar errado", "traidores da pátria", "só veem o lado negativo do governo", "oposição", "elite branca" os que se atreveram a dizer que a inflação está aumentando - e realmente está! -, que a conta de luz terá que sofrer um elevado reajuste e o atual governo não a reajusta porque é ano eleitoral e, caso reajustasse agora sofreria prejuízos na eleição; que o que está acontecendo com a conta de luz também ocorre com os combustíveis (gasolina e diesel); que a Petrobrás sofreu forte desvalorização sob seu comando; ou simplesmente vaiar a governante ... etc.

Eu mesmo fui impiedosamente chamado de "torcer contra o governo" quando escrevi que "as contas de luz ficariam muito mais baixas se o governo investisse na rede transmissora o que possibilitaria o aproveitamento de energia eólica do nordeste que estão paradas justamente por falta da rede transmissora. Elas têm a capacidade de gerar 1.300MW. Por causa disso estamos usando energia gerada por termoelétricas e que custa muito cara, cujo custo adicional ainda não foi transferido para a conta de luz de cada um. A Dilma preferiu baixar a tarifa no início de 2014 subsidiando as empresas geradoras em mais de R$ 12 bilhões, demonstrando pouca inteligência ou muita incompetência ou uso desmesurado do Estado para sua reeleição. Agora, o governo está novamente subsidiando as empresas geradoras em mais R$ 6 bilhões.
A partir do próximo ano, seja qual governo for, teremos que pagar essa conta, ou seja, caberá a nós arcar com os custos desse dispendioso subsídio com juros e tudo o mais, por um simples capricho da Dilma.


quarta-feira, 13 de março de 2013

Renan e Pastor Feliciano

Os Deputados e Senadores normalmente encontram-se ausentes de Brasília na segunda e na sexta-feira de cada semana, é claro, desde que não haja feriado.
De modo geral, debandam da Capital Federal na quinta-feira e só retornam, quando retornam, na terça-feira da semana seguinte. Por causa disso, o Congresso fica entregue às moscas nesses dias, com plenário completamente vazio.
A jornada de trabalho deles acaba se restringindo a pouco mais de dois dias por semana (quarta e quinta-feira).
Quando questionados sobre essa "mordomia" justificam, recorrentemente, dizendo que dirigem-se para seus redutos políticos nesses dias que se afastam, porque precisam manter contato com suas bases eleitorais. Sem esse contato não saberiam o que os seus eleitores pensam e, como representante do povo, precisam atualizar as suas informações básicas constantemente. Senão, não se reelejem!
Se isso é verdade, por que elegem Renan Calheiros como presidente do Senado e o Pastor Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos? Será que as suas bases não lhe informam o que pensam a respeito desses cidadãos? Caso escutassem os eleitores saberiam que esses políticos deveriam, no fundo, perderem os seus mandatos.
Será que durante as suas folgas nem ao menos lêem o noticiário de revistas, jornais e internet? Será que não acompanham noticiários de rádios e TVs?
Ou, na verdade, a ausência do Congresso é somente para passear!?!?!?!?

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Gandhi, o ingênuo!

Lendo sobre o que pensava Gandhi, líder carismático da Índia, fiquei surpreso com algumas revelações. Tão surpreso que decidi escrever sobre isso.
A Índia é um dos países que apresenta a maior desigualdade social. Ela ocupa o segundo lugar entre os países que têm os maiores números de bilionários do mundo. Por outro lado, cerca de 30% da população indiana vive em pobreza total e absoluta, com duas refeições a cada três dias. Parece que a desigualdade social indiana se deve a sua organização em castas.
As castas poderiam até ter desaparecido mas, o próprio Gandhi foi o grande defensor delas.
Gandhi acreditava, com muita fé, na doutrina em que a disciplina e autocontrole do corpo e do espírito é um caminho imprescindível em direção a Deus, doutrina essa conhecida por ascese.
Segundo essa doutrina, pregada por Gandhi, as pessoas passam por vária reencarnações, num ciclo de renascimento que chega ao fim e a alma se junta de Deus. É o caminho para a perfeição!
Com base em suas crenças explicou que as ferrovias espalhavam peste bubônica e aumentam a fome; hospitais propagam os pecados; o sexo é um obstáculo para se chegar a Deus; o camponês não precisa saber ler, pois o conhecimento das letras o tornaria descontente com sua sorte e cada um deve procurar sua felicidade. (essa última pregação de Gandhi é frontalmente contra o que pensamos no mundo ocidental)
Quanto ao sistema de castas, sempre defendeu e pregou a divisão da sociedade em quatro castas. Acreditando na transmigração e na reencarnação, afirmava que a natureza, sem nenhuma possibilidade de erro, faz as correções necessárias. Um indiano que pertença a casta brâmane que se comporta mal reencarna em divisão inferior, ou seja, em casta inferior: "Não há necessidade de ajustes nessa vida".
Quanta ingenuidade!

terça-feira, 10 de julho de 2012

O custo Lula

O último pacote econômico emergencial, o oitavo, anunciado pomposamente por Dilma Rousseff e Guido Mantega, repetindo o que fizeram nos sete anteriores (ampla divulgação e muito destaque na imprensa), é mais uma tentativa de conter a tendência à estagnação da economia brasileira. Esses pacotes têm mostrado, claramente, que ela e a sua equipe de ministros estão abrindo o baú e dele revivendo a era dos pacotes "milagrosos e de última hora" dos governos Sarney e Collor que também procederam da mesma forma. Quem estava lá, como eu (65 anos), viveu e pagou muito caro pelo fracasso de todos eles. A minha geração é testemunha disso.
E como fracassaram!
Eu vivi cada um deles e senti o quanto foi difícil e complicado conviver com essas verdadeiras “camisas de forças” econômicas que nos impuseram. Fomos reféns daquelas medidas! Os governos, com elas, interferiram de tal modo no nosso dinheiro que passamos a nos preocupar diariamente somente com nossas condições econômicas e financeiras não sobrando espaço para dar as devidas atenções que a educação, saúde, segurança, mobilidade e qualidade de vida requeriam. A economia passou a ser o foco principal e único do governo e, por indução, de todos nós, como se o Brasil fosse feito apenas e exclusivamente de dinheiro e nada mais. Qualquer coisa além do dinheiro foi literalmente desprezado (deixado para lá!). Os próprios governos só apresentaram pacotes econômicos desacompanhados de “pacotes de políticas sociais” para educação, saúde, infraestrutura, segurança, qualidade de vida etc.
Pessoas com mais de 40 anos de idade devem se recordar do “fiscal do Sarney” – lançamento do Cruzado, novo nome dado a nossa moeda em março de 1986 –, “do sequestro de dinheiro do Collor” – ministra Zélia Cardoso em março de 1990. Esses não foram os únicos daquela época, mas foram, sem dúvida, os que mais deixaram cicatrizes. Tivemos pacotes de “verão”, “cruzado novo” e outros que impuseram aos brasileiros sacrifícios gigantescos – ocorreram muitos suicídios em cada um deles –, e, infelizmente, deram em nada.
A repetição sucessiva desses pacotes atuais indica que Dilma está decididamente determinada em repetir os erros do passado ao fazer, com poucas diferenças, o replay. Será que ela e o ministro Mantega não aprenderam com o passado? Deveriam procurar estudar história porque já é sabido que conhecer a história serve, no mínimo, para não repetir os mesmos erros antigos. Ignorando a história, ou incompetentes para fazer algo diferente, repetem os mesmos erros. Como disse Heinstein, repetir os mesmos procedimentos achando que obterá resultados diferentes é insanidade.
Estamos no oitavo pacote porque os 7 primeiros não deram os resultados desejados, foram “voos de galinha”, isto é, surtiram efeitos momentâneos. Nenhum deles manteve os resultados positivos iniciais por mais de 4 meses e durante essa sucessão notou-se que os resultados se deterioraram à medida em que foram implantados. Esse, o oitavo, deve resultar em nada. Explicações pelos fracassos estão na imprensa, detalhadas pelos economistas. Enquanto isso o Brasil vai, aos poucos, decaindo, mês após mês, no PIB, a ponto de já dizerem que temos um PIBinho! E isso me assusta!
No início do ano, o ministro Mantega fez uma previsão de PIB de 4,5% para 2012. De lá para cá essa previsão vem sendo revista e, sempre, para baixo. Hoje está em 2,3%, apesar de todos os pacotes até agora.
A pergunta que não se cala é: por que, apesar das medidas tomadas pelo governo, o Brasil cresce cada vez menos?
A festa de Lula acabou. Ele encontrou um banquete pronto (e chamou de herança maldita!), usufruiu dele politicamente o mais que pôde, distribuindo benesses a torto e a direito, sem se preocupar com o futuro. Garantiu desse modo a própria popularidade e elegeu Dilma que recebeu como herança, além de ministros corruptos, o encargo de continuar a festa.
Embora não tivesse percebido, a festa acabou e nenhuma medida foi tomada para manter a mesma fartura.
Acontece que o processo econômico não obedece a vontade de Lula, pois tem as suas próprias leis e exigências. Esgotado o potencial contido nas medidas do governo anterior, a economia começou a ratear, quase parando. A partir daí Dilma adotou os pacotes.
Como se sabe, os partidos revolucionários não têm programa de governo porque acreditam que o mal da sociedade são os partidos de oposição e, como mal que representam, basta eliminá-los para se chegar a sociedade perfeita.
O PT adotou o programa do governo anterior que havia combatido ferozmente. Mas ficou nisso: esgotadas as possibilidades do programa herdado, não tem o que pôr no lugar, a não ser pacotes emergenciais.
Outra característica do governo petista, afora não ter programa, é valer-se da propaganda para ganhar a opinião pública. Esse é o recurso mais usado pelos governos populistas, já que o povo em geral, quer que o pacote dê resultado ou não, fica a notícia de que o governo está trabalhando, resolvendo os problemas. O PAC é exemplo disso.
Por que o governo não apresenta um plano como o REAL com propostas para resolução dos problemas atuais e futuros? Porque lhe falta competência para realizar projetos. E disso ele carece porque o preenchimento dos cargos executivos não é determinado por critério técnico, mas político.
Tudo isso é resultado do modo de operação de Lula no seu estilo "vamo-que-vamo" forçando obras a multiplicando metas - tudo a cargo de uma administração loteada entre os partidos políticos -, reduziu drasticamente a qualidade técnica da gestão e abriu espaço para os malfeitos. Esse é o custo Lula e começamos a pagar por esse custo.
O setor público no Brasil nunca foi lá essas coisas, mas loteado e politizado por Lula ficou pior.
Parte do que aqui escrevi tomei como base dados do IBGE, Wikipedia e artigos de Sardenber, C. A., Rodriguez R. V. e Gullar F.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Com tudo do nada!

Com a poibição determinada pela lei de se fumar em locais fechados e, além disso, também em abertos de determinados tipos de estabelecimentos, como escolas e hospitais, por exemplo, passamos a observar constantemente pessoas que saem dos prédios e permanecem nas calçadas em frente, fumando.
Já repararam no comportamento delas?
Pois bem, outro dia, da janela e distante, sem dar na vista, observei atentamente uma dessas, desde o momento que saiu do prédio já retirando o cigarro do maço até lançar longe, sobre o asfalto, a bituca daquele cigarro que havia acabado de se deliciar e, ao mesmo tempo, enquanto se virava para voltar, levantava a cabeça e expelia para cima o jato fumacento da última tragada, deixando, pairado no ar, o seu rastro que rapidamente se desvaneceu por entre os transeuntes.
O seu primeiro gesto, o de retirar o maço do bolso, já demonstra o apego extremo que mantém pelo vício, pois chegava à calçada com ele na mão.
Os gestos são precisos, numa das mãos o maço e na outra, o isqueiro. Demonstrando habilidade com coordenação perfeita pois coloca o cigarro na boca, acende o isqueiro e já traga profundamente. Gasta, para isso, décimos de segundos.
A fumaça, na primeira tragada, de tão intensa e profunda deve chegar até a alma dele. Ainda bem que não existe doença da alma que possa ser causada pelo tabaco!
Depois da primeira tragada, o fumante permanece quase que totalmente imobilizado. Em pé, com o olhar voltado para a rua, fixa seu olhar em não sei o que e assim permanece. Mais uma tragada; mais outra e continua na mesma. Chega outro colega na mesma condição e os dois permanecem próximos, mas muito distantes porque não se conversam e nem ao menos se entreolham. Cada um com o seu olhar distante, no infinito, perdido e talvez sem ver nada. Olha mas não enxerga coisa alguma pois não está ali para isso. Suga a fumaça e a expele em seguida sem nada ver!
Será que está pensando em algo? Acredito que não! Durante esse tempo toda a sua atenção e dedicação se restringe a barra branca cilindrica nicotínica em sua mão e principalmente nos lábios.
O semblante mostra relaxamento, os gestos inicialmente bruscos tornam-se aos poucos serenos, amainam.
O movimento de lançar a bituca para longe é rápido, rude e dar as costas para o local onde ela caiu ao iniciar o caminho de volta demonstra, acredito eu, um certo arrependimento do que fez. Assim feito, rapidamente abandona o local caminhando em direção à porta de onde saiu. Desaparece. Entra no prédio e a calçada vazia fica ali, aguardando-o para nova sessão desse ritual tabagistico.
Perguntei a um colega fumante sobre o que pensa enquanto fuma na condição de isolado de todos e desligado do mundo!
-Nada!


quarta-feira, 6 de junho de 2012

In victimia

Quando Lula centrou seu plano no estímulo ao consumo como forma de superar a crise de 2008, por ele menosprezada ao qualificá-la de "marolinha", foi, na época, severamente criticado pelos economistas de plantão que compararam o plano, apesar de momentaneamente bem sucedido, ao voo da galinha (voo curto, de baixa velocidade e perigosamente muito próximo ao chão e aos obstáculos).
Uma das críticas mais contundentes se contrapunha ao gasto excessivo que as famílias passariam a ter em decorrência da expansão do crédito e da retração da taxa de juros estabelecidas no plano, porque o consumo do brasileiro se encontrava demasiadamente reprimido. Em consequência, afirmaram eles, o cidadão assumirá dívidas excessivas, o que não era aconselhável porque a população se encontrava despreparada para administrar as próprias finanças de consumidores desmedidos. Diziam que as "famílias se afogariam em dívidas"!
Além disso, os incentivos fiscais para reativar as compras de carros privilegiava apenas um setor da economia como se todo o Brasil dependesse apenas de vendas de automóveis. Aliás, segundo os estudiosos, esse incentivo era um convite à inadimplência.
Nos EUA, o governo e as instituições financeiras haviam feito o mesmo com relação às moradias que, por sua vez, acabaram conduzindo à crise de 2008. Os norte-americanos endividaram-se demasiadamente tornando-se inadimplentes e a crise de lá se instalou com a quebra dos bancos financiadores dessa euforia (ou farra!) de financiamentos por casa própria, começando pelo Banco Lehman Brothers, pivô da crise de 2008.
Os economistas alertaram que plano parecido com esse já tinha sido praticado em outros países e os resultados se mostraram paliativos pois resolviam a situação econômica do país somente naquele momento e não contribuiam para o crescimento do sistema produtivo além de inibir o investimento privado, ou seja, em nada colaboravam para o desenvolvimento do país e o fortalecimento da economia.
Alguns críticos foram além ao acusarem Lula e seu governo de incompetentes e incapazes de elaborarem um plano mais abrangente e de efeito duradouro e consistente.
Diante do volume de críticas, Lula veio a público, por várias vezes, afirmando que "estavam apostando contra ele e torcendo a favor da crise"! Colocou-se como vítima, como injustiçado e incompreendido.
COITADO!!!! Não tinha recebido nenhum reconhecimento!!!!
Hoje, perante os resultados da economia atual, somos obrigados a aceitar as críticas dirigidas ao plano de Lula. Tudo, absolutamente tudo que a imprensa publicou dos críticos tornou-se, infelizmente, realidade. Dessa vez, os economistas acertaram nas previsões. Coisa rara!
A economia do país continua estagnada com PIB baixíssimo; com índice de inadimplência mais alto de todos os tempos; as famílias super-endividadas; a indústria sendo desmantelada pouco a pouco (o Brasil está num processo de desindustrialização); voltamos a exportar somente commodities.
E, para agravar, a presidente Dilma reaplica o plano de Lula em 2012, voltando a incentivar a indústria automobilística....... . Com uma diferença, ela aumentou os impostos sobre cerveja, refrigerante e água mineral.
Se Lula tivesse hombridade, dignidade, honradez e coragem, deveria vir a público e declarar que os seus críticos estavam corretos e que se fez de vítima. Pediria desculpas para a imprensa que ele mesmo acusou de estar fazendo propaganda contra e enganosa, publicando somente coisas que o depreciava. Novamente in victimia. E confessaria sua incompetência para estadista.
Por fim, in victimia é expressão latina de "fazendo-se de vítima".


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Consequências dos erros

Na estatística existem dois tipos fundamentais de erro. O erro do tipo I consiste em rejeitar uma hipótese verdadeira. Nesse caso, dizemos que o erro é FALSO POSITIVO. Exemplo: uma mulher não está grávida e o teste de gravidez dá resultado positivo.
Comete-se o erro do tipo II ao se aceitar uma hipótese falsa, situação conhecida por FALSO NEGATIVO. Exemplo: uma pessoa sabidamente portadora de HIV faz um exame de sangue com resultado negativo.
Além do erro estatístico, cuja qualidade é a previsão, também existe erro humano do dia a dia. Aliás, o erro não é só humano porque, de forma geral, os demais animais também erram.
Nesse caso, a diferença clara entre os humanos e os outros animais são as consequências decorrentes do próprio erro.
De vez em quando um macaco, ao fazer uma manobra mais radical, cai da árvore por ter errado na escolha do galho e, se o sortudo escapar ileso da queda, transforma sua experiência desastrosa em lição de vida, não repetindo mais o mesmo erro. Para ele, uma única experiência é suficiente. Caso não seja sortudo, poderá morrer na queda ou sofrer danos tais que a sua captura pelo predador fica facilitada, pagando, dessa forma, com a redução da sua longevidade o erro cometido. Segundo Darwin, é um caso de seleção natural complicando a vida dos que se dedicam pouca ou nenhuma atenção em seus pulos no dossel! (dossel é a cobertura contínua feita pelas copas das árvores de uma floresta)
Enquanto isso, um motoqueiro ao fazer uma manobra mais arriscada entre os automóveis e se acidenta, costumeiramente atribui o seu erro à fatalidade, "pura adrenalina", e, depois de refeito - dificilmente readquire a totalidade das funções -, volta a repetir o mesmo erro. O macaco não erra duas vezes; o humano, ao contrário, incide frequentemente no mesmo erro, considerando-o como inevitável e ao acaso cada vez que acontece. Da mesma forma que sucede com os macacos na selva, o motoqueiro também pode morrer no erro ou ficar penalizado pelo resto da vida com paralisias ou deficiências, também submetido à seleção natural de Darwin, só que em área urbana.
Além disso, os macacos aprendem com o erro dos outros do grupo a que faz parte. Quando um cai de um galho e a cena é testemunhada pelos demais, esses reduzem muito a frequência de visitas naquele maldito galho. Os humanos, por sua vez, vendo outros errarem, fazem a mesma manobra para demonstrar ao "bobo" que "eles são melhores". Ou seja, partem para o desafio, ato que os macacos não praticam.
Até os sapos aprendem com os próprios erros! Quando cursava a faculdade, nos idos de 1968, na cadeira de Comportamento Animal, hoje denominada Etologia (do grego ethos, "ser" ou "personalidade", logia, "estudo") realizamos experiências com sapos criados no ranário do Departamento de Zoologia.
Fornecíamos a eles insetos voadores de uma determinada espécie como alimento. Insetos esses desprovidos de veneno e de ferrão e que eram, provavelmente, muito saborosos aos sapos pois esses os devoravam em quantidade apreciável.
Existia uma outra espécie, também de insetos voadores, pertencente ao grupo das vespas, dotados de ferrão e com aparência extremamente semelhante aos da espécie que dávamos como alimento. 
Depois de alguns dias recebendo apenas um tipo de inseto na dieta, introduzimos alguns exemplares das "vespas". Notamos que os sapos não distinguiam um inseto do outro porque, afinal, tinham corpos muito parecidos na forma, cor e tamanho e comportavam-se de modos praticamente idênticos, diferenciando-se apenas na presença ou não do ferrão, um detalhe quase imperceptível. Ao fenômeno no qual uma espécie imita ou copia outra a Biologia dá o nome de mimetismo
Cada sapo capturava um inseto e o engolia; capturava outro e também o devorava; mas, ao capturar o portador de ferrão reagia instantâneamente "cuspindo" o que tinha na boca porque levava, muito provavelmente, ferroada na língua. A partir daí se desinteressa completamente pelos insetos que voavam ao seus redor, tinham ou não ferrão.
Isso, para nós, estudantes de Biologia da época, demonstrava que a aprendizagem dos sapos tinha sido tão marcante que se não fornecessemos outro tipo de alimento eles morreriam de inanição, de fome, mas não comiam mais nenhum daqueles insetos. A experiência serviu como lição única e definitiva.
Certa vez, ouvi o relato de uma professora da Educação Infantil, que as tomadas elétricas da escola tinham proteção para que as crianças não sofressem acidentes. Talvez movidas pela curiosidade algumas insistiam em remover a proteção e colocarem o dedo na tomada, o que as levava ao susto e ao choro de algumas depois do choque elétrico. As crianças então eram advertidas e aconselhadas a não mais mexerem nas tomadas. Passada um ou duas semanas elas repetiam o mesmo erro e, novamente, choravam.
A professora relatou que não teve jeito, tiveram que anular as tomadas que estavam ao alcance das crianças na Escola. Só assim para não terem mais esse tipo de choro, mesmo com as repetidas orientações sobre o perigo.
Será que o primeiro erro não foi suficiente para aprenderem?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Acrianos, os paulistas distantes no tempo!

Assistindo as reportagens na TV Globo - Bom Dia Brasil - fiquei sabendo que várias regiões do norte brasileiro, principalmente no Acre, as populações rurais estão com suas propriedades completamente inundadas com perda total da produção de milho, mandioca (na reportagem, um sitiante a chamou de macaxeira) e feijão por causa do transbordamento do rio Acre. A perda, segundo a reportagem, foi total e, por consequência, aquelas pessoas estão predestinadas a sofrerem de fome e, por não terem o que vender, de muita carência no próximo ano.
No mesmo dia, ao final da tarde, navegando pela internet, fiquei sabendo também que em São Paulo caiu uma chuva torrencial que causou vários pontos de alagamento. A reportagem noturna - Jornal Nacional - sobre essas inundações em diversos locais mostrou que o trânsito teve um congestionamento recorde de 220 km e os cidadãos entrevistados reclamavam muito do trânsito, dos ônibus e metro superlotados e a demora imensa para retornar para casa depois da jornada de trabalho. O repórter até comentou que o povo sofre.
Ambos os queixosos, os sitiantes do Acre e os moradores de São Paulo lamuriavam com lamentações intermináveis e que a nada levam. O morador do Acre atribuia a sua infelicidade ao tempo imprevisível do excesso de chuva e o paulista revoltado, por sua vez, acusava o governo e os políticos pelos seus transtornos.
Com tanta terra disponível, porque o acriano resolveu fixar moradia e cultivar uma área invadindo a parte que pertence ao rio Acre? Foi uma invasão de terra! Ou não?

O rio não reclama da invasão, não solicita desocupação e reintegração de posse, ele apenas se VINGA no devido tempo e para sempre do mal que lhe fazem.
Provavelmente escolheu aquele terreno pela facilidade da água - o rio - e tomou essa decisão sem pensar em nada além disso. Em nenhum momento levou em conta os dias seguintes e muito menos os tempos futuros, principalmente os chuvosos, já que, muito provavelmente, deve ter feito a escolha na seca com o rio no seu leito normal. Caso tivesse refletido um pouquinho só, teria percebido que aquela área está pouco acima do nível da superfície da água do rio e que seria invadida com o transbordamento dele, ou será que ele não sabia que os rios transbordam! Portanto, a causa dos seus transtornos não é o excesso de chuva mas o local que ele próprio deu preferência para viver. E para agravar ainda mais a situação desmataram integralmente as margens, fazendo desaparecer totalmente a mata ciliar tão importante na conservação das condições naturais da água e do rio por onde flui.
Os rios sempre invadem suas margens na época das cheias e sabemos disso desde a antiguidade dos egípcios com relação ao rio Nilo.
Os moradores ribeirinhos da Amazônia sabem muito bem disso e se preparam adequadamente nas palafitas.
Daqui a 100 ou 200 anos é quase certo que a região rural habitada pelo acriano se transforme em vilarejo, vila ou cidade e entre os culpados pelas futuras inundações terá, entre eles, um descendente seu, talvez prefeito do local que, por sua vez, apoiado pela câmara de vereadores, decidiu sobre a ocupação do solo em épocas secas e com aprovação maciça da população, a mesma que se volta contra ele quando chove muito. Como os dias chuvosos são em menor número do que os sem-chuva, a população acaba esquecendo as contrariedades.
A seca faz esquecer a lembrança dos problemas da água ou quando a secura é intensa a inundação torna-se até desejável.
Em São Paulo, todos aplaudiram o governador Adhemar de Barros quando iniciou, em 1946, a retificação do Rio Tietê para posterior construção das marginais desse mesmo rio, construção essa que teve grande avanço durante o governo Prestes Maia.
Essas obras representavam progresso e todos aplaudiram, a não ser alguns poucos mais lúcidos e conscientes que naquela época já anteviam os problemas que atualmente vivemos e que, por contestarem as obras, foram tratados com desprezo arrogante e severamente criticados por estarem "contra o progresso". Garanto que tudo isso aconteceu quando choveu pouco ou se ela aconteceu foi em intensidade insuficiente para dar razão aos preocupados com as futuras enchentes e a decepções que causam!
Por que então os políticos fazem obras que futuramente ou em determinadas condições acabam mais transtornando do que facilitando a vida do cidadão? Para mim, isso acontece porque o político é um cidadão igual a qualquer outro e que foi escolhido pelos seus iguais para ocupar o cargo que ocupa, completamente despreparado, levando consigo os mesmos defeitos e qualidades dos cidadãos comuns, ou seja, "o terreno é bom, a água está próxima então aqui vou me instalar e viver o resto da minha vida. Que maravilha!" e se alguma coisa alterar para pior arrumarei um culpado e, se por acaso eu for político, procurarei obter vantagens principalmente eleitoreiras.
Ingênuo é aquele que acredita em solução das enchentes em São Paulo e dos coletivos (ônibus, metro e trens) e muito menos do trânsito. Afinal, rendem muitos e muitos votos.
Vejam na foto como eram os coletivos na cidade de São Paulo na hora do rush em 1937. Continua tudo como antes!!!!!!!! Não me venham dizer que antigamente era melhor!!!!!!!