Foi em 1966, dia 04 de abril. Consultei o calendário para ver que dia da semana era! Uma segunda-feira.
No intervalo da aula, na "cantina" da Biologia, na Cidade Universitária, USP, S. Paulo, vi um recado afixado no quadro de aviso. Estavam procurando por um professor de Ciências para dar aula em turmas noturnas de Madureza, no Curso Madureza Santa Inês, no bairro da Liberdade. Como era de praxe, arranquei o aviso e o guardei no bolso. As aulas terminaram as 18h e 30min (a faculdade era período integral), peguei um ônibus e fui até lá. Atendeu-me o coordenador. Mostrei a ele o aviso que havia removido do mural. Observou e, sem falar mais nada, deu-me um giz e mandou-me entrar numa sala que estava sem professor.
A única coisa que me lembro dessa aula foi que o giz derreteu na minha mão. Naquela época o giz não tinha revestimento plástico como hoje.
Nesse dia, cheguei bem além da hora que costumeiramente chegava em casa. Naquela época ninguém tinha telefone, pois era coisa de gente rica, portanto, por causa disso não foi possível avisar minha "mami". Ela me esperou acordada, preocupada com o meu atraso.
Contei a ela que tinha passado numa escola e que havia dado aulas. Mostrei minha mão branca de giz.
Ela se emocionou com o meu relato, beijou-me e assim se encerrou aquele dia.
Passado algum tempo, ao chegar em casa, encontrei sobre a mesa da cozinha um bolo de fubá com erva-doce, que ADORO. Perguntei a minha mãe sobre o motivo daquele bolo. Foi então que ela me disse que naquele dia estava fazendo um ano que havia dado a primeira aula. Era 4 de abril de 1967.
De lá para cá, todos anos, enquanto viveu, ela me cumprimentava nesse dia. Era motivo de muito orgulho para ela ter um filho professor.
Quando completei 25 anos de profissão ela me mandou uma cesta de café da manhã. Desde que ela faleceu lembro-me mais dela do qualquer outra coisa no dia 4 de abril.
Graças a ela o dia em que dei a primeira aula se tornou para mim inesquecível porque, para ela, ele o foi com certeza.
Uma oincidência: DIA 4 DE ABRIL É ANIVERSÁRIO DA MINHA CIDADE NATAL, Marília, S.P.
sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Democracia direta, JÁ!
Veja só como as coisas são!
A gente escolhe, por intermédio das eleições, os nossos políticos representantes na Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembléias Legislativas e Câmara de Vereadores. Na grande maioria das vezes as pessoas nem se lembram em quem votaram mas, costumeiramente, criticam os gastos excessivos que essa entidades nos dão, a baixa jornada de trabalho que praticam, a corrupção desenfreada que executam rotineiramente e as leis absurdas que aprovam (as tais leis que não "pegam").
Pois bem, poderíamos acabar com tudo isso simplesmente usando a internet.
Que tal acabar com essa corja de políticos e substituí-los pela votação pela internet? Cada um de nós acessaria um site na qual os projetos ficariam disponíveis; tomaríamos ciência dele e daríamos sugestão sobre o quê e como mudá-los (as famosas emendas) e depois votaríamos aprovando ou não! Assim, acabaríamos com essa história de representantes e cada cidadão decidiria, num verdadeiro plebiscito, democraticamente, o futuro do país.
Em vez de praticar democracia indireta, passaríamos exercer democracia direta.
Eu gosto dessa ideia!
A gente escolhe, por intermédio das eleições, os nossos políticos representantes na Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembléias Legislativas e Câmara de Vereadores. Na grande maioria das vezes as pessoas nem se lembram em quem votaram mas, costumeiramente, criticam os gastos excessivos que essa entidades nos dão, a baixa jornada de trabalho que praticam, a corrupção desenfreada que executam rotineiramente e as leis absurdas que aprovam (as tais leis que não "pegam").
Pois bem, poderíamos acabar com tudo isso simplesmente usando a internet.
Que tal acabar com essa corja de políticos e substituí-los pela votação pela internet? Cada um de nós acessaria um site na qual os projetos ficariam disponíveis; tomaríamos ciência dele e daríamos sugestão sobre o quê e como mudá-los (as famosas emendas) e depois votaríamos aprovando ou não! Assim, acabaríamos com essa história de representantes e cada cidadão decidiria, num verdadeiro plebiscito, democraticamente, o futuro do país.
Em vez de praticar democracia indireta, passaríamos exercer democracia direta.
Eu gosto dessa ideia!
sábado, 5 de novembro de 2011
O ensino de Ciências no Brasil (III)
Continuando a abordar sobre o ensino de Ciências no Brasil, exponho, nesse artigo, o terceiro tópico.
Enquanto isso, nos países que lideram a qualidade de ensino, entre eles a Finlândia, não há avaliação nacional; as avaliações são internas e os resultados não são publicados e servem para melhorar a qualidade de ensino/aprendizagem e não para elaborar rankings e comparar escolas. Os rankings internacionais recebem pouca ou nenhuma atenção por parte de diretores e professores; suas atenções se centram na aprendizagem dos alunos e no êxito escolar de cada um deles.
Somente nas duas últimas décadas é que se reconheceu a relação entre educação e crescimento econômico (ou desenvolvimento econômico). Hoje se compreende que a elevação do padrão de vida está diretamente relacionada com o papel da qualidade da educação.
Países Africanos e Latinos Americanos, entre eles o Brasil, o aumento da qualidade de vida foi nulo ou negativo apesar do crescimento econômico. As pesquisas revelaram que o desempenho econômico se transforma em incremento na qualidade de vida quando acompanhado na melhoria da qualidade da educação e, que para isso, pouco contribui as taxas de matrículas, números de alunos frequentando escola e número de anos de estudo da população.
O fraco crescimento econômico da América Latina em comparação com países do sudeste Asiático deve-se, seguramente, de que apesar dos progressos em indicadores de quantidade, a qualidade da educação dos países latino-americanos ainda é das mais baixas do mundo.
Enfim, se os moradores de favela recebessem boa qualidade de ensino conquistariam uma carreira profissional e teriam os seus ganhos mensais bem elevados e, por iniciativa própria, construiriam as suas residências, mais dignas, e deixariam de depender do governo para receber um mísero apartamento na Cingapura, dispensando os favores de políticos.
TERCEIRA PARTE
Com o surgimento dos processos de avaliações externas como ENEM, PROVA BRASIL, SARESP etc. as escolas, numa tentativa de melhorarem as suas classificações, iniciaram programas preparatórios específicos para essas avaliações. Em vez desses programas incorporarem as inovações que cada uma delas exige, como desenvolver competência e habilidades exigidos no ENEM, recorreram, como sempre, ao tradicional método do Ratio Studiorium, incrementando mais aulas de conteúdo aos pobres coitados dos alunos. Perderam a grande chance de se inovarem, talvez por falta de competência e habilidade. Assim, aulas de aprofundamento, aulas de exercícios, aulas de resolução de questões do ENEM de anos anteriores são dadas. Parece que a aula virou a panacéia dos problemas de aprendizagem. Assim procedendo, a escola abandonou o seu papel educacional e assumiu a função de adestramento para resolver um determinado tipo de prova. Até faculdades de direito se preocupam mais em adestrar seus alunos para a prova da OAB do que torná-los bons advogados. Como se pode ensinar Ciências, como a disciplina exige, numa escola com esse tipo de foco? Impossível!Enquanto isso, nos países que lideram a qualidade de ensino, entre eles a Finlândia, não há avaliação nacional; as avaliações são internas e os resultados não são publicados e servem para melhorar a qualidade de ensino/aprendizagem e não para elaborar rankings e comparar escolas. Os rankings internacionais recebem pouca ou nenhuma atenção por parte de diretores e professores; suas atenções se centram na aprendizagem dos alunos e no êxito escolar de cada um deles.
Somente nas duas últimas décadas é que se reconheceu a relação entre educação e crescimento econômico (ou desenvolvimento econômico). Hoje se compreende que a elevação do padrão de vida está diretamente relacionada com o papel da qualidade da educação.
Países Africanos e Latinos Americanos, entre eles o Brasil, o aumento da qualidade de vida foi nulo ou negativo apesar do crescimento econômico. As pesquisas revelaram que o desempenho econômico se transforma em incremento na qualidade de vida quando acompanhado na melhoria da qualidade da educação e, que para isso, pouco contribui as taxas de matrículas, números de alunos frequentando escola e número de anos de estudo da população.
O fraco crescimento econômico da América Latina em comparação com países do sudeste Asiático deve-se, seguramente, de que apesar dos progressos em indicadores de quantidade, a qualidade da educação dos países latino-americanos ainda é das mais baixas do mundo.
Enfim, se os moradores de favela recebessem boa qualidade de ensino conquistariam uma carreira profissional e teriam os seus ganhos mensais bem elevados e, por iniciativa própria, construiriam as suas residências, mais dignas, e deixariam de depender do governo para receber um mísero apartamento na Cingapura, dispensando os favores de políticos.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
O ensino de Ciências no Brasil (II)
Continuando a abordar sobre o ensino de Ciências no Brasil, apresento, nesse artigo, o segundo tópico.
Partindo dessa comprovação, o que se pode dizer a respeito da organização curricular brasileira com as tais disciplinas ditas obrigatórias?
Constatamos que, à medida que os anos passaram mais disciplinas e assuntos foram incluídos no currículo do ensino básico e que, ao mesmo tempo, os resultados das avaliações despencaram, demostrando a piora cada vez mais acentuada da educação.
Dimuindo ainda mais a esperança de melhoras, tramita pelo Congresso Nacional a inclusão obrigatória de mais de 150 temas e disciplinas no Ensino Básico, como “Noções Básicas de Trânsito - uma maneira de formar futuros motoristas mais responsáveis -”, “Economia - ensinar os jovens a lidar com o dinheiro - “, “Saúde”, “Lei de Defesa do Consumidor - ensinar os jovens sobre seus direitos de consumidor -”,”EMC - educação moral e cívica, para incrementar a civilidade nos nossos jovens -”, “História dos Afrodescendentes”, “História dos Nossos Índios” e daí por diante. A partir de 2012 seremos obrigados, por imposição legal, a incluir Música no currículo do ensino básico. Quer saber mais, acesse o site do nosso congresso e tome ciência dos projetos educacionais.
Enquanto Deputados, Senadores, representantes de ONGs , religiosos e Ministro da Educação procuram cada vez mais incluir novos temas e disciplinas, em detrimento das já existentes, os países com melhores índices educacionais concentram seus esforços em poucas disciplinas e cada uma delas com assuntos racionalmente selecionados. Em um livro didático de Biologia da Finlândia, notei que o número de títulos é menor do que ensinamos e cada um é tratado com mais profundidade e acompanhados de várias e diversas atividades. Portanto, a regra lá é: “ensina-se menos desde que os alunos aprendam bem”. Por aqui, “ensinamos mais e poucos ou quase nenhum consegue aprender o razoável”.
De modo geral, podemos dizer que só acrescentamos coisas para se ensinar e nada é retirado, o que implica em exigência de ampliação de tempo para aprendizagem. Essa foi a principal argumentação usada para aumentar de 180 para 200 dias letivos. A mesma justificativa já foi apresentada por Fernando Haddad, atual Ministro da Educação, para passar de 200 para 220 dias letivos.
A aprendizagem consome tempo e, por causa disso, os ensinamentos têm que ser dosados em graus crescentes de dificuldade e complexidade, sem saltos ou atalhos, e reforçados com atividades, PRATICADAS PELOS PRÓPRIOS ALUNOS, que acrescentem qualidade ao que é transmitido e deem significado e valor ao ensinado, repeitando a faxia etária dos educandos que estabelece os limites da aprendizagem. A experiência em nossas escolas tornam evidente que os planejamentos escolares consideram com carinho o TEMPO DE ENSINAMENTO [os professores estipulam números mínimos de aulas para que possam ensinar determinado assunto] sem levar em conta o TEMPO DE APRENDIZAGEM do aluno. O tempo é dosado pelo professor segundo suas necessidades, relevando-se em plano bastante inferior, ou nem considerando, o tempo necessário para o estudante aprender.
Por aqui, diga-se Brasil, ainda continuamos praticando as normas do Ratio Studiorum dos Jesuítas, criada em 1599, que tinha como ideia principal docete omnes gentes, ou seja, “ensinai, instrui e mostrai a toda gente a verdade”.
Com relação aos professores, consta numa das normas de Ratio Studiorum: “Por onde começar o ensino”: Procure que os nosos irmãos comecem a ensinar em aulas que fiquem abaixo do nível científico para que assim, de ano para ano, se possam elevar com boa parte de seus alunos, a um grau superior.
Com relação aos alunos, registra: “Tranquilidade e silêncio”: Nas aulas não vão de um para outro lado; mas fique cada um no seu lugar, modesto e silencioso, atento a si e aos seus trabalhos. Sem licença do Professor não saiam da aula. Não estraguem nem manchem os bancos, a cátedra, as cadeiras, as paredes, portas e janelas ou outros lugares, com desenhos, ou escrituras, com canivete ou de outra maneira.
A dinâmica da sala de aula ainda é a mesma de 1500, ou seja, as idéias, atitudes, práticas, valores do indivíduo ou do grupo são ultrapassados e não condizentes com a nossa época. Parece até que Ratio Studiorum foi escrita hoje!
Por fim, para agravar ainda mais o problema, as escolas decidiram transformar o terceiro colegial em terceirão, cuja essência é a revisão para os vestibulares. Assim procedendo, a matéria que deveria ser ensinada em 3 anos agora é em 2!!!! Já está consagrado na Pedagogia e Psicologia que ao se ensinar muita coisa em pouco tempo o rendimento da aprendizagem é comprometido.
SEGUNDA PARTE
Os resultados das as pesquisas pedagógicas realizadas até agora pelo mundo afora, sem exceção, confirmam e reconfirmam uma máxima sobre o ensino de Ciências e de Matemática, assim sintetizada por William Schmidt, Universidade de Michigan, EUA, pesquisador renomado sobre ensino e aprendizagem dessas disciplinas: OS RESULTADOS MOSTRAM QUE QUANTO MAIS TÓPICOS VOCÊ INCLUI NO CURRÍCULO, PIOR É A PERFOMANCE DO PAÍS [portanto dos alunos (observação minha)] NAS AVALIAÇÕES INTERNACIONAIS E INTERNAS...Partindo dessa comprovação, o que se pode dizer a respeito da organização curricular brasileira com as tais disciplinas ditas obrigatórias?
Constatamos que, à medida que os anos passaram mais disciplinas e assuntos foram incluídos no currículo do ensino básico e que, ao mesmo tempo, os resultados das avaliações despencaram, demostrando a piora cada vez mais acentuada da educação.
Dimuindo ainda mais a esperança de melhoras, tramita pelo Congresso Nacional a inclusão obrigatória de mais de 150 temas e disciplinas no Ensino Básico, como “Noções Básicas de Trânsito - uma maneira de formar futuros motoristas mais responsáveis -”, “Economia - ensinar os jovens a lidar com o dinheiro - “, “Saúde”, “Lei de Defesa do Consumidor - ensinar os jovens sobre seus direitos de consumidor -”,”EMC - educação moral e cívica, para incrementar a civilidade nos nossos jovens -”, “História dos Afrodescendentes”, “História dos Nossos Índios” e daí por diante. A partir de 2012 seremos obrigados, por imposição legal, a incluir Música no currículo do ensino básico. Quer saber mais, acesse o site do nosso congresso e tome ciência dos projetos educacionais.
Enquanto Deputados, Senadores, representantes de ONGs , religiosos e Ministro da Educação procuram cada vez mais incluir novos temas e disciplinas, em detrimento das já existentes, os países com melhores índices educacionais concentram seus esforços em poucas disciplinas e cada uma delas com assuntos racionalmente selecionados. Em um livro didático de Biologia da Finlândia, notei que o número de títulos é menor do que ensinamos e cada um é tratado com mais profundidade e acompanhados de várias e diversas atividades. Portanto, a regra lá é: “ensina-se menos desde que os alunos aprendam bem”. Por aqui, “ensinamos mais e poucos ou quase nenhum consegue aprender o razoável”.
De modo geral, podemos dizer que só acrescentamos coisas para se ensinar e nada é retirado, o que implica em exigência de ampliação de tempo para aprendizagem. Essa foi a principal argumentação usada para aumentar de 180 para 200 dias letivos. A mesma justificativa já foi apresentada por Fernando Haddad, atual Ministro da Educação, para passar de 200 para 220 dias letivos.
A aprendizagem consome tempo e, por causa disso, os ensinamentos têm que ser dosados em graus crescentes de dificuldade e complexidade, sem saltos ou atalhos, e reforçados com atividades, PRATICADAS PELOS PRÓPRIOS ALUNOS, que acrescentem qualidade ao que é transmitido e deem significado e valor ao ensinado, repeitando a faxia etária dos educandos que estabelece os limites da aprendizagem. A experiência em nossas escolas tornam evidente que os planejamentos escolares consideram com carinho o TEMPO DE ENSINAMENTO [os professores estipulam números mínimos de aulas para que possam ensinar determinado assunto] sem levar em conta o TEMPO DE APRENDIZAGEM do aluno. O tempo é dosado pelo professor segundo suas necessidades, relevando-se em plano bastante inferior, ou nem considerando, o tempo necessário para o estudante aprender.
Por aqui, diga-se Brasil, ainda continuamos praticando as normas do Ratio Studiorum dos Jesuítas, criada em 1599, que tinha como ideia principal docete omnes gentes, ou seja, “ensinai, instrui e mostrai a toda gente a verdade”.
Com relação aos professores, consta numa das normas de Ratio Studiorum: “Por onde começar o ensino”: Procure que os nosos irmãos comecem a ensinar em aulas que fiquem abaixo do nível científico para que assim, de ano para ano, se possam elevar com boa parte de seus alunos, a um grau superior.
Com relação aos alunos, registra: “Tranquilidade e silêncio”: Nas aulas não vão de um para outro lado; mas fique cada um no seu lugar, modesto e silencioso, atento a si e aos seus trabalhos. Sem licença do Professor não saiam da aula. Não estraguem nem manchem os bancos, a cátedra, as cadeiras, as paredes, portas e janelas ou outros lugares, com desenhos, ou escrituras, com canivete ou de outra maneira.
A dinâmica da sala de aula ainda é a mesma de 1500, ou seja, as idéias, atitudes, práticas, valores do indivíduo ou do grupo são ultrapassados e não condizentes com a nossa época. Parece até que Ratio Studiorum foi escrita hoje!
Por fim, para agravar ainda mais o problema, as escolas decidiram transformar o terceiro colegial em terceirão, cuja essência é a revisão para os vestibulares. Assim procedendo, a matéria que deveria ser ensinada em 3 anos agora é em 2!!!! Já está consagrado na Pedagogia e Psicologia que ao se ensinar muita coisa em pouco tempo o rendimento da aprendizagem é comprometido.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O ensino de Ciências no Brasil (I)
Como o assunto contém aspectos peculiares diversos e extensos, o tema que passo agora a escrever será dividido em três partes, numeradas por I, II e III.
A última classificação divulgada da prova de Ciências do PISA mostra o Brasil na 53a posição numa lista de 65 países avaliados. Estamos a frente de Montenegro, Jordânia, Tunísia, Albânia, Quirgistão, Azerbaijão e atrás de Colômbia, Trinidade Tobago … Os seis primeiros, na ordem decrescente das médias, são: Shangai (China), Coréia, Finlândia, Hong-Kong (China), Singapura e Canadá. Repare naquilo que não é coincidência: os últimos são países economicamente fracos e administrativamente subdesenvolvidos com população desasisstida; exatamente o contrário do que se observa entre os primeiros.
O Brasil com média 412, Shangai, o primeiro, com 556 e Quirgistão, o último, 314. Estamos a 98 pontos do último e a 154 do primeiro. A OCDE, entidade sediada em Paris, organizadora do PISA, admite 400 como piso de pontos, ou seja, como a menor média admissível; abaixo dela o sistema educacional nem ruim é, pois inexiste. E nós estamos um pouquinho acima desse nível horroroso. O Brasil está mal há décadas, com médias oscilando ao redor disso, estacionado próximo a essa posição. Mudam governos e a educação continua na mesma.
O que causa estranheza é que a Educação Brasileira, na última década, só melhorou - e muito pouco - nas avaliações internas, como SAEB, SERESP, Prova Brasil … . Regozijando-se, o governo federal até lançou, no ano passado, propaganda na TV divulgando que as médias tinham passado de 3,4 para 3,6 e que a meta para 2012 era 4,0, como se esse crescimento, apesar de pífio, fosse resultado decorrente dos seus investimentos e trabalhos com educação.
Por ser insignificante, quem tem um mínimo de conhecimento estatístico atribui essa diferença ao acaso. Ela só terá significado se se repetir por no mínimo 6 anos seguidos, período esse que corresponde à metade da soma dos 9 anos do Ensino Fundamental com os 3 anos do Ensino Médio (9 + 3 = 12).
Por enquanto, só nos resta fazer um questionamento: “como se ensina ciências no nosso país?”. É justamente essa a questão que procurarei responder em três partes.
PRIMEIRA PARTE
No ensino fundamental, a Ciência é ensinada de forma lúdica, isto é, com brincadeiras e diversão.
Crianças ensinadas dessa forma acabam se interessando mais pela própria brincadeira do que pela Ciência que está sendo ensinada. As regras das brincadeiras despertam muito mais interesse sendo, por isso, rapidamente e “alegremente” assimiladas enquanto que o domínio do conhecimento científico pouco é incorporado ao seu conhecimento. Tanto é verdade, que tempos depois, quando solicitadas para se recordarem das atividades, as crianças o fazem com facilidade; o conhecimento pretendido com a dita atividade lúdica raramente vem a mente delas de forma equivalente!
Nota-se claramente uma reversão total do ensino porque a brincadeira, que seria o meio empregado para se alcançar o fim da aprendizagem científica, acaba virando o fim e os ensinamentos científicos, o meio. Os jovens se recordam até dos detalhes das brincadeiras e vagamente lembram do conteúdo ensinado.
O ensino adequado de Ciências raramente atinge seus objetivos porque exige professores muito bem qualificados e empenhados naquilo que fazem e laboratórios com um mínimo de equipamentos que, sob a gestão do professor, se transforme num ambiente atrativo, que estimule a pesquisa e desperte a curiosidade da criança.
Até esse momento da minha vida profissional, iniciada em 1966, como professor de Ciências e de Biologia, só conheci três escolas - Colégio Experimental da Lapa, Colégio de Aplicação da USP e Colégio Estadual Infante Dom Henrique, na Vila Matilde, na cidade de São Paulo - que tinham patrimônio pedagógico suficiente para que se ensinasse ciência como deve ser.
A minha experiência na FUNBEC (Fundação Brasileira para o Ensino de Ciências), IBECC (Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciências) e CECISP (Centro de Treinamento para Professores de Ciências de São Paulo PREMEN) - todos na USP - , como instrutor de professores de Ciências do Ensino Fundamental testemunhei a carência de qualificação deles. Professores tão mal preparados desestimulam as crianças além da má qualidade do ensino que ministram.
Até o conteúdo é deformado! Sempre que ensino fotossíntese e respiração no primeiro ano do Ensino Médio (1o colegial) questiono se é verdade que a “planta respira de um modo durante o dia e de outro a noite?”. Sim, é a resposta unânime, demonstrando que lhes foi ensinado conceitos totalmente errados. Um absurdo!
Para que essa situação se reverta e que a criança mais aprenda do que brinque, os professores precisam ser bem mais qualificados e aprimorados, capazes de extrair grandes benefícios de ensinamentos que os laboratórios proporcionam e que as atividades extras contibuam para a aprendizagem científica.
Levantamento feito pelo MCTI (Ministério de Ciência e Tecnologia da Inovação), órgão federal, mostra que menos de 3% das saídas dos alunos das escolas atendem a essa necessidade; e que mais de 70% das excursões são organizadas principalmente para passeios em Shopping, Hopi Hari, Playcenter, Praias e Parques, passeios que mais entretêm do que ensinam, educando as nossas crianças, isso sim, para serem consumidoras vorazes!
O uso da tecnologia substituindo a presença do professor pelo ensino a distância; a do laboratório pelos vídeos ou simples demonstrações em sala só vêm agravar ainda mais o problema.
A última classificação divulgada da prova de Ciências do PISA mostra o Brasil na 53a posição numa lista de 65 países avaliados. Estamos a frente de Montenegro, Jordânia, Tunísia, Albânia, Quirgistão, Azerbaijão e atrás de Colômbia, Trinidade Tobago … Os seis primeiros, na ordem decrescente das médias, são: Shangai (China), Coréia, Finlândia, Hong-Kong (China), Singapura e Canadá. Repare naquilo que não é coincidência: os últimos são países economicamente fracos e administrativamente subdesenvolvidos com população desasisstida; exatamente o contrário do que se observa entre os primeiros.
O Brasil com média 412, Shangai, o primeiro, com 556 e Quirgistão, o último, 314. Estamos a 98 pontos do último e a 154 do primeiro. A OCDE, entidade sediada em Paris, organizadora do PISA, admite 400 como piso de pontos, ou seja, como a menor média admissível; abaixo dela o sistema educacional nem ruim é, pois inexiste. E nós estamos um pouquinho acima desse nível horroroso. O Brasil está mal há décadas, com médias oscilando ao redor disso, estacionado próximo a essa posição. Mudam governos e a educação continua na mesma.
O que causa estranheza é que a Educação Brasileira, na última década, só melhorou - e muito pouco - nas avaliações internas, como SAEB, SERESP, Prova Brasil … . Regozijando-se, o governo federal até lançou, no ano passado, propaganda na TV divulgando que as médias tinham passado de 3,4 para 3,6 e que a meta para 2012 era 4,0, como se esse crescimento, apesar de pífio, fosse resultado decorrente dos seus investimentos e trabalhos com educação.
Por ser insignificante, quem tem um mínimo de conhecimento estatístico atribui essa diferença ao acaso. Ela só terá significado se se repetir por no mínimo 6 anos seguidos, período esse que corresponde à metade da soma dos 9 anos do Ensino Fundamental com os 3 anos do Ensino Médio (9 + 3 = 12).
Por enquanto, só nos resta fazer um questionamento: “como se ensina ciências no nosso país?”. É justamente essa a questão que procurarei responder em três partes.
PRIMEIRA PARTE
Crianças ensinadas dessa forma acabam se interessando mais pela própria brincadeira do que pela Ciência que está sendo ensinada. As regras das brincadeiras despertam muito mais interesse sendo, por isso, rapidamente e “alegremente” assimiladas enquanto que o domínio do conhecimento científico pouco é incorporado ao seu conhecimento. Tanto é verdade, que tempos depois, quando solicitadas para se recordarem das atividades, as crianças o fazem com facilidade; o conhecimento pretendido com a dita atividade lúdica raramente vem a mente delas de forma equivalente!
Nota-se claramente uma reversão total do ensino porque a brincadeira, que seria o meio empregado para se alcançar o fim da aprendizagem científica, acaba virando o fim e os ensinamentos científicos, o meio. Os jovens se recordam até dos detalhes das brincadeiras e vagamente lembram do conteúdo ensinado.
O ensino adequado de Ciências raramente atinge seus objetivos porque exige professores muito bem qualificados e empenhados naquilo que fazem e laboratórios com um mínimo de equipamentos que, sob a gestão do professor, se transforme num ambiente atrativo, que estimule a pesquisa e desperte a curiosidade da criança.
Até esse momento da minha vida profissional, iniciada em 1966, como professor de Ciências e de Biologia, só conheci três escolas - Colégio Experimental da Lapa, Colégio de Aplicação da USP e Colégio Estadual Infante Dom Henrique, na Vila Matilde, na cidade de São Paulo - que tinham patrimônio pedagógico suficiente para que se ensinasse ciência como deve ser.
A minha experiência na FUNBEC (Fundação Brasileira para o Ensino de Ciências), IBECC (Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciências) e CECISP (Centro de Treinamento para Professores de Ciências de São Paulo PREMEN) - todos na USP - , como instrutor de professores de Ciências do Ensino Fundamental testemunhei a carência de qualificação deles. Professores tão mal preparados desestimulam as crianças além da má qualidade do ensino que ministram.
Até o conteúdo é deformado! Sempre que ensino fotossíntese e respiração no primeiro ano do Ensino Médio (1o colegial) questiono se é verdade que a “planta respira de um modo durante o dia e de outro a noite?”. Sim, é a resposta unânime, demonstrando que lhes foi ensinado conceitos totalmente errados. Um absurdo!
Para que essa situação se reverta e que a criança mais aprenda do que brinque, os professores precisam ser bem mais qualificados e aprimorados, capazes de extrair grandes benefícios de ensinamentos que os laboratórios proporcionam e que as atividades extras contibuam para a aprendizagem científica.
Levantamento feito pelo MCTI (Ministério de Ciência e Tecnologia da Inovação), órgão federal, mostra que menos de 3% das saídas dos alunos das escolas atendem a essa necessidade; e que mais de 70% das excursões são organizadas principalmente para passeios em Shopping, Hopi Hari, Playcenter, Praias e Parques, passeios que mais entretêm do que ensinam, educando as nossas crianças, isso sim, para serem consumidoras vorazes!
O uso da tecnologia substituindo a presença do professor pelo ensino a distância; a do laboratório pelos vídeos ou simples demonstrações em sala só vêm agravar ainda mais o problema.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Liang
Quando pós graduava em Biologia Aplicada à Agricultura, numa das disciplinas que cursava, tive dois colegas de sala que me deixaram boas lembranças: Liang, oriundo da China e Elfriede, da Alemanha. Ele, o chinês, fazia especialização, na ESALQ-USP, em produção agrícola e ela, a alemã, em paisagismo.
No primeiro dia de aula dessa disciplina, o professor distribuiu, para cada um da turma, composta por 11 alunos, entre eles eu, o chinês e a alemã, um tema para que preparássemos seminários a serem dados dois meses depois. Uma das recomendações que o professor nos passou foi a de que o preparo era individual, que cada um se encarregasse do seu.
Durante o intervalo dessa aula, na cantina do campus, enquanto tomávamos um cafezinho, troquei ideias com um colega sobre como desenvolver o tema. Além do colega, estava presente o chinês e o próprio professor. Fomos interrompidos pelo Liang que, espantado, nos perguntou com seu português impecável: O PROFESSOR NÃO DISSE QUE A PREPARAÇÃO TINHA DE SER INDIVIDUAL? Ele, meio assustado, perante o professor, nos fez esse questionamento e nós, mais surpresos ainda, ficamos tão sem jeito que nada respondemos. Que diferença cultural!?
Passado um mês de aula, veio o dia da prova. O professor distribuiu as provas para os alunos e cada um se concentrou nela e assim o tempo passava quando, causando surpresa geral, o Liang, preocupado com o professor sem fazer absolutamente nada na sala, perguntou: POR QUE O SENHOR PERMANECE AQUI NA SALA? Todos, é claro, fomos pegos de surpresa com a dúvida e o professor também estava entre os "todos"!!!!! Que diferença cultural!?!?
Na segunda prova aplicada, um mês depois, o professor não ficou na sala.
Acredite, com a presença do chinês, agora nosso grande amigo, ficamos todos constrangidos em trocar ideias sobre as questões. Ficamos com vergonha de "trocar informações sobre os problemas" porque "cola" propriamente dita é inadminissível na pós graduação. Procedemos naquela prova como se o professor estivesse a nossa frente, nos vigiando atentamente. Foi uma lição inesquecível!!!!!! Dada por diferença cultural!?
No primeiro dia de aula dessa disciplina, o professor distribuiu, para cada um da turma, composta por 11 alunos, entre eles eu, o chinês e a alemã, um tema para que preparássemos seminários a serem dados dois meses depois. Uma das recomendações que o professor nos passou foi a de que o preparo era individual, que cada um se encarregasse do seu.
Durante o intervalo dessa aula, na cantina do campus, enquanto tomávamos um cafezinho, troquei ideias com um colega sobre como desenvolver o tema. Além do colega, estava presente o chinês e o próprio professor. Fomos interrompidos pelo Liang que, espantado, nos perguntou com seu português impecável: O PROFESSOR NÃO DISSE QUE A PREPARAÇÃO TINHA DE SER INDIVIDUAL? Ele, meio assustado, perante o professor, nos fez esse questionamento e nós, mais surpresos ainda, ficamos tão sem jeito que nada respondemos. Que diferença cultural!?
Passado um mês de aula, veio o dia da prova. O professor distribuiu as provas para os alunos e cada um se concentrou nela e assim o tempo passava quando, causando surpresa geral, o Liang, preocupado com o professor sem fazer absolutamente nada na sala, perguntou: POR QUE O SENHOR PERMANECE AQUI NA SALA? Todos, é claro, fomos pegos de surpresa com a dúvida e o professor também estava entre os "todos"!!!!! Que diferença cultural!?!?
Na segunda prova aplicada, um mês depois, o professor não ficou na sala.
Acredite, com a presença do chinês, agora nosso grande amigo, ficamos todos constrangidos em trocar ideias sobre as questões. Ficamos com vergonha de "trocar informações sobre os problemas" porque "cola" propriamente dita é inadminissível na pós graduação. Procedemos naquela prova como se o professor estivesse a nossa frente, nos vigiando atentamente. Foi uma lição inesquecível!!!!!! Dada por diferença cultural!?
domingo, 16 de outubro de 2011
Tolerar ou não!
O que escrevo tem como base o artigo de Renato Lessa em CIÊNCIA HOJE, vol. 47, pág. 281, maio de 2011, intitulado "A Visibilidade do Abjeto", na secção "sobre humanos".
Respeitando as liberdades individuais, como prega a nossa democracia, que dá amparo legal às minorias, nos colocamos diante de uma discussão polêmica sobre tolerar ou não o intolerante.
Afinal, o intolerante faz parte de uma minoria que, de acordo com os nossos princípios democráticos, devem ser tolerados. Ou não?
Vamos pensar melhor sobre o assunto!
Não tolerar o intolerante é contrário aos princípios da liberdade individual e que a nossa democracia tanto defende e, ao mesmo tempo, nos torna INTOLERANTE aos INTOLERANTES. Portanto, não tolerar os intolerantes nos iguala a eles, pois combatemos a intolerância sendo intolerantes!!!! Muito estranho!
Por outro lado, sendo tolerantes, como a nossa democracia proclama, com os intolerantes, estaremos reconhecendo como autêntico, ou melhor, legitimando, o que os intolerantes praticam contra os que não toleram.
Caímos numa sinuca de bico, ou melhor, como se diz em ditado popular, "se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come".Coisas da democracia! Ou não?!
Paro por aqui. O autor do artigo, Renato Lessa, foi mais longe.
E, por final, parabenizo Renato Lessa pelo seu artigo.
Respeitando as liberdades individuais, como prega a nossa democracia, que dá amparo legal às minorias, nos colocamos diante de uma discussão polêmica sobre tolerar ou não o intolerante.
Afinal, o intolerante faz parte de uma minoria que, de acordo com os nossos princípios democráticos, devem ser tolerados. Ou não?
Vamos pensar melhor sobre o assunto!
Não tolerar o intolerante é contrário aos princípios da liberdade individual e que a nossa democracia tanto defende e, ao mesmo tempo, nos torna INTOLERANTE aos INTOLERANTES. Portanto, não tolerar os intolerantes nos iguala a eles, pois combatemos a intolerância sendo intolerantes!!!! Muito estranho!
Por outro lado, sendo tolerantes, como a nossa democracia proclama, com os intolerantes, estaremos reconhecendo como autêntico, ou melhor, legitimando, o que os intolerantes praticam contra os que não toleram.
Caímos numa sinuca de bico, ou melhor, como se diz em ditado popular, "se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come".Coisas da democracia! Ou não?!
Paro por aqui. O autor do artigo, Renato Lessa, foi mais longe.
E, por final, parabenizo Renato Lessa pelo seu artigo.
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