Diante da atual escassez de água temos, obrigatoriamente, que pensar demoradamente sobre esse assunto, refletindo profundamente e considerando o maior número possível de fatores e agentes que nos levaram a essa situação desesperadora.
As cidades, em sua imensa maioria, nasceram em margens de rios porque o rio representava fonte permanente de água, um bem essencial, e um meio acessível a todos para deslocamentos e transportes com o uso de embarcações. O custo do transporte simples em rios é nulo bastando, para tanto, um tronco de árvore trabalhado na confecção de uma canoa e uma vara para ser usada como remo. Com apenas esse tipo de utilização os rios se transformaram em bens a serem preservados com todo capricho.
Acontece, que os habitantes dessas povoações ribeirinhas, que se desenvolveram em grandes cidades, pouco ou nenhum valor deram a esse bem. Passaram a despejar nele os seus resíduos sólidos transformando-o em coletor de lixo. Era cômodo jogar o lixo no rio porque, levado pela correnteza, ele desaparecia da vista dando a impressão que o problema de destinação do lixo estava resolvido. Assim se sentiam conformados e confortados. O importante era se livrar do lixo! Ninguém, ou pouquíssimos, perguntaram "para onde está indo o lixo jogado no rio?".
Até hoje um número considerado de pessoas ainda continua usando o rio para se desvencilhar do lixo. Basta ver o Rio Tietê, o Tamanduateí, o Pinheiros com sacos de lixo boiando, poltronas, sofás, colchões e móveis velhos em suas margens além de quantidades incontáveis de garrafas pets flutuando e sacos plásticos.
A chuva que cai nas cidades também é muito bem vinda porque além de limpar o céu - as gotas da chuva carregam a poeira suspensa no ar para o chão - rega os jardins e áreas desocupadas e, ao originar enxurradas, carrega o lixo e a sujeira das ruas para os rios. Ou seja, a chuva lava a cidade levando embora a imundice e tudo aquilo que foi descartado nas calçadas, sarjetas e leito da rua. Até a poeira acumulada nos telhados!
Além disso, também os esgotos das cidades passaram a ser despejados nos rios. O leito do rio é a região mais baixa da cidade e, como o esgoto é aquoso flui por gravidade das regiões mais altas para as mais baixas através da rede de esgoto que termina em rios e córregos. No Brasil, estações de tratamento de esgoto ainda são exceções, raridades. Ou seja, continuamos despejando nos rios os esgotos in natura - do jeito que saem das residências -, poluindo-os assustadoramente.
Com lixo e esgoto o rio perdeu a nobreza, deixou de ser um bem a ser preservado, chegando a ser ruim para a cidade dada a proliferação de insetos, ratos nojentos, com sua água enegrecida e exalação constante de mau cheiro insuportável e, também, fonte de doenças.
Deixando de ser fonte de água consumível pelo homem, os rios das cidades, como fonte de água potável, foram abandonados e procurou-se água para consumo humano, em locais mais distantes, nos rios não poluídos que poderiam ser canalizados até as cidades. Para melhor proveito esses rios foram represados.
Com o aumento constante do consumo de água - as cidades estão crescendo - e a queda natural do índice de chuvas, a consequência inevitável é a falta d'água por momentos cada vez mais prolongados, tornando-se um problema grave no futuro pois, visto o desmatamento incontrolável e desmesurado que vem acontecendo, as chuvas se reduzirão ano após ano.
Um outro recurso de água potável é o lençol freático e o Brasil, nesse caso, é privilegiado porque possui nas profundezas do seu solo - principalmente na região de Cerrado - um depósito gigantesco conhecido como Aquífero Guarani, fonte das águas minerais que compramos.
Mas, o aquífero também está sendo comprometido! A irrigação das lavouras intensivas (agronegócio) é feita com água retirada do aquífero Guarani por meio de poços artesianos. E o consumo de água nessas áreas agrícolas é grandioso, de enormes proporções e, o resultado disso é o abaixamento do nível do aquífero. A subtração d'água do aquífero está se sucedendo em volume bem superior ao da recarga (reposição) que ocorre por infiltração das águas provenientes das chuvas no solo arenoso do Cerrado. Simplesmente porque as chuvas estão diminuindo.
Além disso, os lixões das cidades localizadas em regiões onde anteriormente era Cerrado (Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Uberlândia, Uberaba etc.), não receberam o tratamento adequado. Os chorumes oriundos desses lixões, material altamente poluente e contaminado, infiltram-se no solo arenoso e chegam a atingir o aquífero. Os agrotóxicos pulverizados nas lavouras são levados ao solo pela chuva e também se infiltram. Ou seja, estamos, na verdade, poluindo o aquífero!
Portanto, o problema não é a água, é o homem.
Perante tantos descasos o que se poderia fazer para resolver o problema, já sabendo que ele se agravará enormemente se nenhuma providência for tomada?
Sugiro:
1 - Preservar as áreas que abastecem o aquífero. Assim elevaríamos a reposição de água do aquífero Guarani.
2 - Já existe legislação a respeito mas nenhuma prefeitura tomou todas as precauções exigidas na construção de aterros sanitários. Deveria ser obrigatório cada município cuidar adequadamente do seu lixo - atualmente chamam de resíduo sólido.
3 - Programa de redução gradativa de poluição dos rios que passam pelas cidades. Londres e Paris conseguiram despoluir completamente seus rios. Despoluída, a água dos rios que passam por áreas urbanas poderia ser utilizada pelos cidadãos.
4 - Reaproveitar a água resultante do tratamento de esgoto em postos de gasolina (para lavar carros), irrigação de praças e água para descarga em sanitários. Processo conhecido por reuso.
5 - Educar o cidadão para que não jogue lixo ou qualquer outra coisa no rio e em nenhum outro lugar da rua ou da estrada porque esse material chegará ao rio carregado pela enxurrada das chuvas.
6 - Educar as pessoas para consumirem menos água. O cada cidadão europeu consome, em média, cerca de 110 litros de água por dia; o morador de São Paulo consome 205 litros por dia.
7 - Revisar o encanamento distribuidor de água nas cidades porque, por serem antigos, estão sujeito a muitos vazamentos, o que ocasiona perda expressiva de água.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
A dignidade do mensageiro
Participei como ouvinte, debatedor e expositor de inúmeros congressos, palestras, encontros de divulgação de trabalhos científicos, principalmente na SBPC, e simpósios no período no qual fiz a pós graduação. Concluída a pós, com menor assiduidade, continuei a frequentar esses eventos. O último evento foi uma palestra dada por um membro da equipe de clonagem da Dolly.
Um fato marcante percebido na graduação, reforçado no período de pós graduação, durante as discussões calorosas que se estabeleciam em alguns daqueles eventos, é que no curso dos debates os participantes usavam argumentos tanto a favor como contra as ideias. Foi notório que os debatedores restringiam suas críticas aos pensamentos expostos pelo apresentador enaltecendo ou não o próprio pelos seus resultados alcançados nas pesquisas sem denegrir, de forma alguma, a pessoa do pesquisador, respeitando a sua individualidade, por pior que fossem as suas conclusões.
Dito de outra maneira, nunca ouvi críticas ou elogios dirigidos ao mensageiro (pesquisador) que comunica más ou boas notícias (conclusões dos pesquisadores).
Por outro lado, nos últimos 12 anos tenho notado declarações dos governantes desfazendo, desmerecendo e depreciando, até ofendendo, os seus críticos sem em momento algum argumentarem contra as críticas das quais são alvos, com a intenção de invalida-las e aniquila-las de modo incontestável e definitivamente, encerrando-se, assim, de modo decisivo o assunto. Indo além, chegam até a sugerir legislação visando censurar a imprensa que, segundo eles, se atreve a divulgar o que chamam de disparates.
Assim procedendo, chamam de "pessimistas especializados em criar ambiente negativo", "torcida para o Brasil dar errado", "traidores da pátria", "só veem o lado negativo do governo", "oposição", "elite branca" os que se atreveram a dizer que a inflação está aumentando - e realmente está! -, que a conta de luz terá que sofrer um elevado reajuste e o atual governo não a reajusta porque é ano eleitoral e, caso reajustasse agora sofreria prejuízos na eleição; que o que está acontecendo com a conta de luz também ocorre com os combustíveis (gasolina e diesel); que a Petrobrás sofreu forte desvalorização sob seu comando; ou simplesmente vaiar a governante ... etc.
Eu mesmo fui impiedosamente chamado de "torcer contra o governo" quando escrevi que "as contas de luz ficariam muito mais baixas se o governo investisse na rede transmissora o que possibilitaria o aproveitamento de energia eólica do nordeste que estão paradas justamente por falta da rede transmissora. Elas têm a capacidade de gerar 1.300MW. Por causa disso estamos usando energia gerada por termoelétricas e que custa muito cara, cujo custo adicional ainda não foi transferido para a conta de luz de cada um. A Dilma preferiu baixar a tarifa no início de 2014 subsidiando as empresas geradoras em mais de R$ 12 bilhões, demonstrando pouca inteligência ou muita incompetência ou uso desmesurado do Estado para sua reeleição. Agora, o governo está novamente subsidiando as empresas geradoras em mais R$ 6 bilhões.
A partir do próximo ano, seja qual governo for, teremos que pagar essa conta, ou seja, caberá a nós arcar com os custos desse dispendioso subsídio com juros e tudo o mais, por um simples capricho da Dilma.
Um fato marcante percebido na graduação, reforçado no período de pós graduação, durante as discussões calorosas que se estabeleciam em alguns daqueles eventos, é que no curso dos debates os participantes usavam argumentos tanto a favor como contra as ideias. Foi notório que os debatedores restringiam suas críticas aos pensamentos expostos pelo apresentador enaltecendo ou não o próprio pelos seus resultados alcançados nas pesquisas sem denegrir, de forma alguma, a pessoa do pesquisador, respeitando a sua individualidade, por pior que fossem as suas conclusões.
Dito de outra maneira, nunca ouvi críticas ou elogios dirigidos ao mensageiro (pesquisador) que comunica más ou boas notícias (conclusões dos pesquisadores).
Por outro lado, nos últimos 12 anos tenho notado declarações dos governantes desfazendo, desmerecendo e depreciando, até ofendendo, os seus críticos sem em momento algum argumentarem contra as críticas das quais são alvos, com a intenção de invalida-las e aniquila-las de modo incontestável e definitivamente, encerrando-se, assim, de modo decisivo o assunto. Indo além, chegam até a sugerir legislação visando censurar a imprensa que, segundo eles, se atreve a divulgar o que chamam de disparates.
Assim procedendo, chamam de "pessimistas especializados em criar ambiente negativo", "torcida para o Brasil dar errado", "traidores da pátria", "só veem o lado negativo do governo", "oposição", "elite branca" os que se atreveram a dizer que a inflação está aumentando - e realmente está! -, que a conta de luz terá que sofrer um elevado reajuste e o atual governo não a reajusta porque é ano eleitoral e, caso reajustasse agora sofreria prejuízos na eleição; que o que está acontecendo com a conta de luz também ocorre com os combustíveis (gasolina e diesel); que a Petrobrás sofreu forte desvalorização sob seu comando; ou simplesmente vaiar a governante ... etc.
Eu mesmo fui impiedosamente chamado de "torcer contra o governo" quando escrevi que "as contas de luz ficariam muito mais baixas se o governo investisse na rede transmissora o que possibilitaria o aproveitamento de energia eólica do nordeste que estão paradas justamente por falta da rede transmissora. Elas têm a capacidade de gerar 1.300MW. Por causa disso estamos usando energia gerada por termoelétricas e que custa muito cara, cujo custo adicional ainda não foi transferido para a conta de luz de cada um. A Dilma preferiu baixar a tarifa no início de 2014 subsidiando as empresas geradoras em mais de R$ 12 bilhões, demonstrando pouca inteligência ou muita incompetência ou uso desmesurado do Estado para sua reeleição. Agora, o governo está novamente subsidiando as empresas geradoras em mais R$ 6 bilhões.
A partir do próximo ano, seja qual governo for, teremos que pagar essa conta, ou seja, caberá a nós arcar com os custos desse dispendioso subsídio com juros e tudo o mais, por um simples capricho da Dilma.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Renan e Pastor Feliciano
Os Deputados e Senadores normalmente encontram-se ausentes de Brasília na segunda e na sexta-feira de cada semana, é claro, desde que não haja feriado.
De modo geral, debandam da Capital Federal na quinta-feira e só retornam, quando retornam, na terça-feira da semana seguinte. Por causa disso, o Congresso fica entregue às moscas nesses dias, com plenário completamente vazio.
A jornada de trabalho deles acaba se restringindo a pouco mais de dois dias por semana (quarta e quinta-feira).
Quando questionados sobre essa "mordomia" justificam, recorrentemente, dizendo que dirigem-se para seus redutos políticos nesses dias que se afastam, porque precisam manter contato com suas bases eleitorais. Sem esse contato não saberiam o que os seus eleitores pensam e, como representante do povo, precisam atualizar as suas informações básicas constantemente. Senão, não se reelejem!
Se isso é verdade, por que elegem Renan Calheiros como presidente do Senado e o Pastor Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos? Será que as suas bases não lhe informam o que pensam a respeito desses cidadãos? Caso escutassem os eleitores saberiam que esses políticos deveriam, no fundo, perderem os seus mandatos.
Será que durante as suas folgas nem ao menos lêem o noticiário de revistas, jornais e internet? Será que não acompanham noticiários de rádios e TVs?
Ou, na verdade, a ausência do Congresso é somente para passear!?!?!?!?
De modo geral, debandam da Capital Federal na quinta-feira e só retornam, quando retornam, na terça-feira da semana seguinte. Por causa disso, o Congresso fica entregue às moscas nesses dias, com plenário completamente vazio.
A jornada de trabalho deles acaba se restringindo a pouco mais de dois dias por semana (quarta e quinta-feira).
Quando questionados sobre essa "mordomia" justificam, recorrentemente, dizendo que dirigem-se para seus redutos políticos nesses dias que se afastam, porque precisam manter contato com suas bases eleitorais. Sem esse contato não saberiam o que os seus eleitores pensam e, como representante do povo, precisam atualizar as suas informações básicas constantemente. Senão, não se reelejem!
Se isso é verdade, por que elegem Renan Calheiros como presidente do Senado e o Pastor Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos? Será que as suas bases não lhe informam o que pensam a respeito desses cidadãos? Caso escutassem os eleitores saberiam que esses políticos deveriam, no fundo, perderem os seus mandatos.
Será que durante as suas folgas nem ao menos lêem o noticiário de revistas, jornais e internet? Será que não acompanham noticiários de rádios e TVs?
Ou, na verdade, a ausência do Congresso é somente para passear!?!?!?!?
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Gandhi, o ingênuo!
Lendo sobre o que pensava Gandhi, líder carismático da Índia, fiquei surpreso com algumas revelações. Tão surpreso que decidi escrever sobre isso.
A Índia é um dos países que apresenta a maior desigualdade social. Ela ocupa o segundo lugar entre os países que têm os maiores números de bilionários do mundo. Por outro lado, cerca de 30% da população indiana vive em pobreza total e absoluta, com duas refeições a cada três dias. Parece que a desigualdade social indiana se deve a sua organização em castas.
As castas poderiam até ter desaparecido mas, o próprio Gandhi foi o grande defensor delas.
Gandhi acreditava, com muita fé, na doutrina em que a disciplina e autocontrole do corpo e do espírito é um caminho imprescindível em direção a Deus, doutrina essa conhecida por ascese.
Segundo essa doutrina, pregada por Gandhi, as pessoas passam por vária reencarnações, num ciclo de renascimento que chega ao fim e a alma se junta de Deus. É o caminho para a perfeição!
Com base em suas crenças explicou que as ferrovias espalhavam peste bubônica e aumentam a fome; hospitais propagam os pecados; o sexo é um obstáculo para se chegar a Deus; o camponês não precisa saber ler, pois o conhecimento das letras o tornaria descontente com sua sorte e cada um deve procurar sua felicidade. (essa última pregação de Gandhi é frontalmente contra o que pensamos no mundo ocidental)
Quanto ao sistema de castas, sempre defendeu e pregou a divisão da sociedade em quatro castas. Acreditando na transmigração e na reencarnação, afirmava que a natureza, sem nenhuma possibilidade de erro, faz as correções necessárias. Um indiano que pertença a casta brâmane que se comporta mal reencarna em divisão inferior, ou seja, em casta inferior: "Não há necessidade de ajustes nessa vida".
Quanta ingenuidade!
A Índia é um dos países que apresenta a maior desigualdade social. Ela ocupa o segundo lugar entre os países que têm os maiores números de bilionários do mundo. Por outro lado, cerca de 30% da população indiana vive em pobreza total e absoluta, com duas refeições a cada três dias. Parece que a desigualdade social indiana se deve a sua organização em castas.
As castas poderiam até ter desaparecido mas, o próprio Gandhi foi o grande defensor delas.
Gandhi acreditava, com muita fé, na doutrina em que a disciplina e autocontrole do corpo e do espírito é um caminho imprescindível em direção a Deus, doutrina essa conhecida por ascese.
Segundo essa doutrina, pregada por Gandhi, as pessoas passam por vária reencarnações, num ciclo de renascimento que chega ao fim e a alma se junta de Deus. É o caminho para a perfeição!
Com base em suas crenças explicou que as ferrovias espalhavam peste bubônica e aumentam a fome; hospitais propagam os pecados; o sexo é um obstáculo para se chegar a Deus; o camponês não precisa saber ler, pois o conhecimento das letras o tornaria descontente com sua sorte e cada um deve procurar sua felicidade. (essa última pregação de Gandhi é frontalmente contra o que pensamos no mundo ocidental)
Quanto ao sistema de castas, sempre defendeu e pregou a divisão da sociedade em quatro castas. Acreditando na transmigração e na reencarnação, afirmava que a natureza, sem nenhuma possibilidade de erro, faz as correções necessárias. Um indiano que pertença a casta brâmane que se comporta mal reencarna em divisão inferior, ou seja, em casta inferior: "Não há necessidade de ajustes nessa vida".
Quanta ingenuidade!
terça-feira, 10 de julho de 2012
O custo Lula
O último pacote econômico emergencial, o oitavo, anunciado pomposamente por Dilma Rousseff e Guido Mantega, repetindo o que fizeram nos sete anteriores (ampla divulgação e muito destaque na imprensa), é mais uma tentativa de conter a tendência à estagnação da economia brasileira. Esses pacotes têm mostrado, claramente, que ela e a sua equipe de ministros estão abrindo o baú e dele revivendo a era dos pacotes "milagrosos e de última hora" dos governos Sarney e Collor que também procederam da mesma forma. Quem estava lá, como eu
(65 anos), viveu e pagou muito caro pelo fracasso de todos eles. A minha geração é testemunha disso.
E como fracassaram!
Eu vivi cada um deles e senti o quanto foi difícil e complicado conviver com essas verdadeiras “camisas de forças” econômicas que nos impuseram. Fomos reféns daquelas medidas! Os governos, com elas, interferiram de tal modo no nosso dinheiro que passamos a nos preocupar diariamente somente com nossas condições econômicas e financeiras não sobrando espaço para dar as devidas atenções que a educação, saúde, segurança, mobilidade e qualidade de vida requeriam. A economia passou a ser o foco principal e único do governo e, por indução, de todos nós, como se o Brasil fosse feito apenas e exclusivamente de dinheiro e nada mais. Qualquer coisa além do dinheiro foi literalmente desprezado (deixado para lá!). Os próprios governos só apresentaram pacotes econômicos desacompanhados de “pacotes de políticas sociais” para educação, saúde, infraestrutura, segurança, qualidade de vida etc.
Eu vivi cada um deles e senti o quanto foi difícil e complicado conviver com essas verdadeiras “camisas de forças” econômicas que nos impuseram. Fomos reféns daquelas medidas! Os governos, com elas, interferiram de tal modo no nosso dinheiro que passamos a nos preocupar diariamente somente com nossas condições econômicas e financeiras não sobrando espaço para dar as devidas atenções que a educação, saúde, segurança, mobilidade e qualidade de vida requeriam. A economia passou a ser o foco principal e único do governo e, por indução, de todos nós, como se o Brasil fosse feito apenas e exclusivamente de dinheiro e nada mais. Qualquer coisa além do dinheiro foi literalmente desprezado (deixado para lá!). Os próprios governos só apresentaram pacotes econômicos desacompanhados de “pacotes de políticas sociais” para educação, saúde, infraestrutura, segurança, qualidade de vida etc.
Pessoas com mais de 40 anos de idade
devem se recordar do “fiscal do Sarney”
– lançamento do Cruzado, novo nome dado a nossa moeda em março de 1986 –, “do sequestro de dinheiro do Collor” – ministra
Zélia Cardoso em março de 1990. Esses não foram os únicos daquela época, mas
foram, sem dúvida, os que mais deixaram cicatrizes. Tivemos pacotes de “verão”,
“cruzado novo” e outros que impuseram aos brasileiros sacrifícios gigantescos –
ocorreram muitos suicídios em cada um deles –, e, infelizmente, deram em nada.
A repetição sucessiva desses pacotes
atuais indica que Dilma está decididamente determinada em repetir os erros do passado
ao fazer, com poucas diferenças, o replay.
Será que ela e o ministro Mantega não aprenderam com o passado? Deveriam
procurar estudar história porque já é sabido que conhecer a história serve, no
mínimo, para não repetir os mesmos erros antigos. Ignorando a história, ou
incompetentes para fazer algo diferente, repetem os mesmos erros. Como disse Heinstein, repetir os mesmos procedimentos
achando que obterá resultados diferentes é insanidade.
Estamos no oitavo pacote porque os 7
primeiros não deram os resultados desejados, foram “voos de galinha”, isto é,
surtiram efeitos momentâneos. Nenhum deles manteve os resultados positivos iniciais
por mais de 4 meses e durante essa sucessão notou-se que os resultados se
deterioraram à medida em que foram implantados. Esse, o oitavo, deve resultar
em nada. Explicações pelos fracassos estão na imprensa, detalhadas
pelos economistas. Enquanto isso o Brasil vai, aos poucos, decaindo, mês após mês,
no PIB, a ponto de já dizerem que temos um PIBinho! E isso me assusta!
No início do ano, o ministro Mantega fez
uma previsão de PIB de 4,5% para 2012. De lá para cá essa previsão vem sendo
revista e, sempre, para baixo. Hoje está em 2,3%, apesar de todos os pacotes até
agora.
A pergunta que não se cala é: por que, apesar das medidas tomadas pelo
governo, o Brasil cresce cada vez menos?
A festa de Lula acabou. Ele encontrou um
banquete pronto (e chamou de herança maldita!), usufruiu dele politicamente o
mais que pôde, distribuindo benesses a torto e a direito, sem se preocupar com
o futuro. Garantiu desse modo a própria popularidade e elegeu Dilma que recebeu
como herança, além de ministros corruptos, o encargo de continuar a festa.
Embora não tivesse percebido, a festa
acabou e nenhuma medida foi tomada para manter a mesma fartura.
Acontece que o processo econômico não
obedece a vontade de Lula, pois tem as suas próprias leis e exigências.
Esgotado o potencial contido nas medidas do governo anterior, a economia
começou a ratear, quase parando. A partir daí Dilma adotou os pacotes.
Como se sabe, os partidos
revolucionários não têm programa de governo porque acreditam que o mal da
sociedade são os partidos de oposição e, como mal que representam, basta
eliminá-los para se chegar a sociedade perfeita.
O PT adotou o programa do governo
anterior que havia combatido ferozmente. Mas ficou nisso: esgotadas as
possibilidades do programa herdado, não tem o que pôr no lugar, a não ser
pacotes emergenciais.
Outra característica do governo petista,
afora não ter programa, é valer-se da propaganda para ganhar a opinião pública.
Esse é o recurso mais usado pelos governos populistas, já que o povo em geral,
quer que o pacote dê resultado ou não, fica a notícia de que o governo está
trabalhando, resolvendo os problemas. O PAC é exemplo disso.
Por que o governo não apresenta um plano
como o REAL com propostas para resolução dos problemas atuais e futuros? Porque
lhe falta competência para realizar projetos. E disso ele carece porque o
preenchimento dos cargos executivos não é determinado por critério técnico, mas
político.
Tudo isso é resultado do modo de operação de Lula no seu estilo "vamo-que-vamo" forçando obras a multiplicando metas - tudo a cargo de uma administração loteada entre os partidos políticos -, reduziu drasticamente a qualidade técnica da gestão e abriu espaço para os malfeitos. Esse é o custo Lula e começamos a pagar por esse custo.
O setor público no Brasil nunca foi lá essas coisas, mas loteado e politizado por Lula ficou pior.
Parte do que aqui escrevi tomei como base dados do IBGE, Wikipedia e artigos de Sardenber, C. A., Rodriguez R. V. e Gullar F.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Com tudo do nada!
Com a poibição determinada pela lei de se fumar em locais fechados e, além disso, também em abertos de determinados tipos de estabelecimentos, como escolas e hospitais, por exemplo, passamos a observar constantemente pessoas que saem dos prédios e permanecem nas calçadas em frente, fumando.
Já repararam no comportamento delas?
Pois bem, outro dia, da janela e distante, sem dar na vista, observei atentamente uma dessas, desde o momento que saiu do prédio já retirando o cigarro do maço até lançar longe, sobre o asfalto, a bituca daquele cigarro que havia acabado de se deliciar e, ao mesmo tempo, enquanto se virava para voltar, levantava a cabeça e expelia para cima o jato fumacento da última tragada, deixando, pairado no ar, o seu rastro que rapidamente se desvaneceu por entre os transeuntes.
O seu primeiro gesto, o de retirar o maço do bolso, já demonstra o apego extremo que mantém pelo vício, pois chegava à calçada com ele na mão.
Os gestos são precisos, numa das mãos o maço e na outra, o isqueiro. Demonstrando habilidade com coordenação perfeita pois coloca o cigarro na boca, acende o isqueiro e já traga profundamente. Gasta, para isso, décimos de segundos.
A fumaça, na primeira tragada, de tão intensa e profunda deve chegar até a alma dele. Ainda bem que não existe doença da alma que possa ser causada pelo tabaco!
Depois da primeira tragada, o fumante permanece quase que totalmente imobilizado. Em pé, com o olhar voltado para a rua, fixa seu olhar em não sei o que e assim permanece. Mais uma tragada; mais outra e continua na mesma. Chega outro colega na mesma condição e os dois permanecem próximos, mas muito distantes porque não se conversam e nem ao menos se entreolham. Cada um com o seu olhar distante, no infinito, perdido e talvez sem ver nada. Olha mas não enxerga coisa alguma pois não está ali para isso. Suga a fumaça e a expele em seguida sem nada ver!
Será que está pensando em algo? Acredito que não! Durante esse tempo toda a sua atenção e dedicação se restringe a barra branca cilindrica nicotínica em sua mão e principalmente nos lábios.
O semblante mostra relaxamento, os gestos inicialmente bruscos tornam-se aos poucos serenos, amainam.
O movimento de lançar a bituca para longe é rápido, rude e dar as costas para o local onde ela caiu ao iniciar o caminho de volta demonstra, acredito eu, um certo arrependimento do que fez. Assim feito, rapidamente abandona o local caminhando em direção à porta de onde saiu. Desaparece. Entra no prédio e a calçada vazia fica ali, aguardando-o para nova sessão desse ritual tabagistico.
Perguntei a um colega fumante sobre o que pensa enquanto fuma na condição de isolado de todos e desligado do mundo!
-Nada!
Já repararam no comportamento delas?
Pois bem, outro dia, da janela e distante, sem dar na vista, observei atentamente uma dessas, desde o momento que saiu do prédio já retirando o cigarro do maço até lançar longe, sobre o asfalto, a bituca daquele cigarro que havia acabado de se deliciar e, ao mesmo tempo, enquanto se virava para voltar, levantava a cabeça e expelia para cima o jato fumacento da última tragada, deixando, pairado no ar, o seu rastro que rapidamente se desvaneceu por entre os transeuntes.
O seu primeiro gesto, o de retirar o maço do bolso, já demonstra o apego extremo que mantém pelo vício, pois chegava à calçada com ele na mão.
Os gestos são precisos, numa das mãos o maço e na outra, o isqueiro. Demonstrando habilidade com coordenação perfeita pois coloca o cigarro na boca, acende o isqueiro e já traga profundamente. Gasta, para isso, décimos de segundos.
A fumaça, na primeira tragada, de tão intensa e profunda deve chegar até a alma dele. Ainda bem que não existe doença da alma que possa ser causada pelo tabaco!
Depois da primeira tragada, o fumante permanece quase que totalmente imobilizado. Em pé, com o olhar voltado para a rua, fixa seu olhar em não sei o que e assim permanece. Mais uma tragada; mais outra e continua na mesma. Chega outro colega na mesma condição e os dois permanecem próximos, mas muito distantes porque não se conversam e nem ao menos se entreolham. Cada um com o seu olhar distante, no infinito, perdido e talvez sem ver nada. Olha mas não enxerga coisa alguma pois não está ali para isso. Suga a fumaça e a expele em seguida sem nada ver!
Será que está pensando em algo? Acredito que não! Durante esse tempo toda a sua atenção e dedicação se restringe a barra branca cilindrica nicotínica em sua mão e principalmente nos lábios.
O semblante mostra relaxamento, os gestos inicialmente bruscos tornam-se aos poucos serenos, amainam.
O movimento de lançar a bituca para longe é rápido, rude e dar as costas para o local onde ela caiu ao iniciar o caminho de volta demonstra, acredito eu, um certo arrependimento do que fez. Assim feito, rapidamente abandona o local caminhando em direção à porta de onde saiu. Desaparece. Entra no prédio e a calçada vazia fica ali, aguardando-o para nova sessão desse ritual tabagistico.
Perguntei a um colega fumante sobre o que pensa enquanto fuma na condição de isolado de todos e desligado do mundo!
-Nada!
quarta-feira, 6 de junho de 2012
In victimia
Quando Lula centrou seu plano no estímulo ao consumo como forma de superar a crise de 2008, por ele menosprezada ao qualificá-la de "marolinha", foi, na época, severamente criticado pelos economistas de plantão que compararam o plano, apesar de momentaneamente bem sucedido, ao voo da galinha (voo curto, de baixa velocidade e perigosamente muito próximo ao chão e aos obstáculos).
Uma das críticas mais contundentes se contrapunha ao gasto excessivo que as famílias passariam a ter em decorrência da expansão do crédito e da retração da taxa de juros estabelecidas no plano, porque o consumo do brasileiro se encontrava demasiadamente reprimido. Em consequência, afirmaram eles, o cidadão assumirá dívidas excessivas, o que não era aconselhável porque a população se encontrava despreparada para administrar as próprias finanças de consumidores desmedidos. Diziam que as "famílias se afogariam em dívidas"!
Além disso, os incentivos fiscais para reativar as compras de carros privilegiava apenas um setor da economia como se todo o Brasil dependesse apenas de vendas de automóveis. Aliás, segundo os estudiosos, esse incentivo era um convite à inadimplência.
Nos EUA, o governo e as instituições financeiras haviam feito o mesmo com relação às moradias que, por sua vez, acabaram conduzindo à crise de 2008. Os norte-americanos endividaram-se demasiadamente tornando-se inadimplentes e a crise de lá se instalou com a quebra dos bancos financiadores dessa euforia (ou farra!) de financiamentos por casa própria, começando pelo Banco Lehman Brothers, pivô da crise de 2008.
Os economistas alertaram que plano parecido com esse já tinha sido praticado em outros países e os resultados se mostraram paliativos pois resolviam a situação econômica do país somente naquele momento e não contribuiam para o crescimento do sistema produtivo além de inibir o investimento privado, ou seja, em nada colaboravam para o desenvolvimento do país e o fortalecimento da economia.
Alguns críticos foram além ao acusarem Lula e seu governo de incompetentes e incapazes de elaborarem um plano mais abrangente e de efeito duradouro e consistente.
Diante do volume de críticas, Lula veio a público, por várias vezes, afirmando que "estavam apostando contra ele e torcendo a favor da crise"! Colocou-se como vítima, como injustiçado e incompreendido.
COITADO!!!! Não tinha recebido nenhum reconhecimento!!!!
Hoje, perante os resultados da economia atual, somos obrigados a aceitar as críticas dirigidas ao plano de Lula. Tudo, absolutamente tudo que a imprensa publicou dos críticos tornou-se, infelizmente, realidade. Dessa vez, os economistas acertaram nas previsões. Coisa rara!
A economia do país continua estagnada com PIB baixíssimo; com índice de inadimplência mais alto de todos os tempos; as famílias super-endividadas; a indústria sendo desmantelada pouco a pouco (o Brasil está num processo de desindustrialização); voltamos a exportar somente commodities.
E, para agravar, a presidente Dilma reaplica o plano de Lula em 2012, voltando a incentivar a indústria automobilística....... . Com uma diferença, ela aumentou os impostos sobre cerveja, refrigerante e água mineral.
Se Lula tivesse hombridade, dignidade, honradez e coragem, deveria vir a público e declarar que os seus críticos estavam corretos e que se fez de vítima. Pediria desculpas para a imprensa que ele mesmo acusou de estar fazendo propaganda contra e enganosa, publicando somente coisas que o depreciava. Novamente in victimia. E confessaria sua incompetência para estadista.
Por fim, in victimia é expressão latina de "fazendo-se de vítima".
Uma das críticas mais contundentes se contrapunha ao gasto excessivo que as famílias passariam a ter em decorrência da expansão do crédito e da retração da taxa de juros estabelecidas no plano, porque o consumo do brasileiro se encontrava demasiadamente reprimido. Em consequência, afirmaram eles, o cidadão assumirá dívidas excessivas, o que não era aconselhável porque a população se encontrava despreparada para administrar as próprias finanças de consumidores desmedidos. Diziam que as "famílias se afogariam em dívidas"!
Além disso, os incentivos fiscais para reativar as compras de carros privilegiava apenas um setor da economia como se todo o Brasil dependesse apenas de vendas de automóveis. Aliás, segundo os estudiosos, esse incentivo era um convite à inadimplência.
Nos EUA, o governo e as instituições financeiras haviam feito o mesmo com relação às moradias que, por sua vez, acabaram conduzindo à crise de 2008. Os norte-americanos endividaram-se demasiadamente tornando-se inadimplentes e a crise de lá se instalou com a quebra dos bancos financiadores dessa euforia (ou farra!) de financiamentos por casa própria, começando pelo Banco Lehman Brothers, pivô da crise de 2008.
Os economistas alertaram que plano parecido com esse já tinha sido praticado em outros países e os resultados se mostraram paliativos pois resolviam a situação econômica do país somente naquele momento e não contribuiam para o crescimento do sistema produtivo além de inibir o investimento privado, ou seja, em nada colaboravam para o desenvolvimento do país e o fortalecimento da economia.
Alguns críticos foram além ao acusarem Lula e seu governo de incompetentes e incapazes de elaborarem um plano mais abrangente e de efeito duradouro e consistente.
Diante do volume de críticas, Lula veio a público, por várias vezes, afirmando que "estavam apostando contra ele e torcendo a favor da crise"! Colocou-se como vítima, como injustiçado e incompreendido.
COITADO!!!! Não tinha recebido nenhum reconhecimento!!!!
Hoje, perante os resultados da economia atual, somos obrigados a aceitar as críticas dirigidas ao plano de Lula. Tudo, absolutamente tudo que a imprensa publicou dos críticos tornou-se, infelizmente, realidade. Dessa vez, os economistas acertaram nas previsões. Coisa rara!
A economia do país continua estagnada com PIB baixíssimo; com índice de inadimplência mais alto de todos os tempos; as famílias super-endividadas; a indústria sendo desmantelada pouco a pouco (o Brasil está num processo de desindustrialização); voltamos a exportar somente commodities.
E, para agravar, a presidente Dilma reaplica o plano de Lula em 2012, voltando a incentivar a indústria automobilística....... . Com uma diferença, ela aumentou os impostos sobre cerveja, refrigerante e água mineral.
Se Lula tivesse hombridade, dignidade, honradez e coragem, deveria vir a público e declarar que os seus críticos estavam corretos e que se fez de vítima. Pediria desculpas para a imprensa que ele mesmo acusou de estar fazendo propaganda contra e enganosa, publicando somente coisas que o depreciava. Novamente in victimia. E confessaria sua incompetência para estadista.
Por fim, in victimia é expressão latina de "fazendo-se de vítima".
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