segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pedágio (III)

Abaixo, está o percentual que cabe a cada ESTADO relativo aos 29% do total da CIDE arrecadada pelo governo federal.
Notem que os 100% (TOTAL) é o mesmo que os 29% do total da CIDE.
Desse modo, o percentual de São Paulo é de 17,4% de 29% do total da CIDE.
ESTADO PERCENTUAL
ACRE 0,74%
ALAGOAS 1,60%
AMAPÁ 0,57%
AMAZONAS 1,39%
BAHIA 6,39%
CEARÁ 3,55%
DISTRITO FEDERAL 1,43%
ESPÍRITO SANTO 2,13%
GOIÁS 4,69%
MARANHÃO 3,00%
MATO GROSSO 2,76%
MATO GROSSO DO SUL 2,72%
MINAS GERAIS 10,72%
PARÁ 2,85%
PARAÍBA 1,95%
PARANÁ 7,23%
PERNAMBUCO 3,67%
PIAUÍ 1,98%
RIO DE JANEIRO 5,53%
RIO GRANDE DO NORTE 2,22%
RIO GRANDE DO SUL 6,50%
RONDÔNIA 1,23%
RORAIMA 0,74%
SANTA CATARINA 3,92%
SÃO PAULO 17,47%
SERGIPE 1,34%
TOCANTINS 1,68%
T O T A L 100,00%

Pedágio (II)

     Em 1969 o governo militar brasileiro criou a TRU (Taxa Rodiviária Única) a ser cobrada dos proprietários de veículos de passageiros ou de carga.
     Por se tratar de uma TAXA, de acordo com a CF (Constituição Federal), o dinheiro proveniente dela só poderia ser aplicado em melhorias ou ampliações rodoviárias. A TRU foi um sucesso tão surpreendente que a sua arrecadação chegou a atingir 9% do PIB. Nos primeiros anos de sua vigência as rodovias brasileiras sofreram investimentos vultosos e foram nitidamente melhoradas, totalmente recapeadas, como a Dutra, a Fernão Dias e a Regis Bittencourt. Mas, com o passar do tempo as verbas provenientes da TRU foram desviadas e aplicadas em saúde e ensino, desrespeitando totalmente a vinculação obrigatória dessa taxa com as rodovias, o que contrariava a CF. Isso tudo aconteceu no governo militar.
     Em 1985 a TRU foi extinta e em seu lugar entrou o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).
     Essa substituição foi radical porque a arrecadação deixou de ser TAXA e passou a ser IMPOSTO. Isso implica, segundo a CF, art 167, inc. IV, que o tributo oriundo do IPVA, como qualquer imposto, não tem vinculação com órgão, fundo ou despesas com destinação genérica, isto é, entra no caixa do governo e cada um faz o que bem entender com esse dinheiro.
     Do total arrecadado do IPVA, metade (50%) vai para o Estado e a outra metade (50%) vai para o Município onde o carro está licenciado.
     Por outro lado, o governo federal perdendo essa arrecadação (a TRU), tratou de criar um substituto, a CIDE (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico) cobrada sobre cada litro de combustível. Do total arrecadado pela CIDE, 71% vai para o Governo Federal e 29% é repartido entre os Estados, de acordo com a Lei nº10.336, de 19/12/2001.
     Para se ter ideia dos valores da CIDE, cada 1.000 litros de gasolina recolhe aos cofres públicos a quantia de R$ 501,10 ( R$ 501,10 por m3 de combustível) ou seja, pouco mais de R$ 0,50 por litro de combustível que você coloca em seu tanque. A arrecadação mostrou ser superior à TRU e, apesar disso, nossas estradas nada melhoraram. Como a CIDE é uma CONTRIBUIÇÃO a sua arrecadação está destinada a uma ENTIDADE, da mesma forma que a CONTRIBUIÇÃO SINDICAL é destinada ao Sindicato.
     As contribuições possuem finalidade e destino certos e definidos na lei que a instituiu. A parcela federal (71%) do dinheiro arrecadado pela CIDE, por exemplo, vai para Fundo Nacional de Infra-Estrutura de Transportes - FNIT do Ministério dos Transportes. Apesar dessa arrecadação enorme, o ministro dessa pasta, apoiado pela presidente Dilma, insiste em dizer que não tem verba suficiente para melhorar a malha rodiviária federal e, por isso, está leiloando as estradas para iniciativa privada com cobrança de pedágio.
     Enquanto isso, os Estados, por receberem somente uma parcela dos 29% arrecadados, também alegam não dispor de dinheiro suficiente para as suas estradas e, dessa forma, vão criando os seus pedágios.
     Diante do que expus, peço a todos que reclamam dos pedágios, que não acusem o IPVA porque ele nada tem a ver com ruas e estradas; a acusação deve ser feita à CIDE. Bem mais caro que o pedágio que você paga nas estradas está o "pedágio das estradas" embutido e "escondido" em cada litro de combustível que você adquire no posto. Dessa contribuição nunca ouvi alguém reclamar!!!!!!!!!!
     Outra contribuição está a caminho em substituição ao IPMF, a CSS (Contribuição Social para a Saúde). A Câmara dos Deputados já a aprovou. Só falta o Senado. Como dizem, CSS é o novo nome da CPMF! E dizem que com ela a saúde melhorará!
     Fui claro!

domingo, 2 de outubro de 2011

Pedágios (I)

     Antes de tudo, quero deixar bem claro e evidente que não sou defensor dos valores cobrados nos pedágios das nossas estradas, apesar de concordar com a existência deles. Estou me referindo especificamente aos pedágios das estradas paulistas.
Nunca encontrei alguém que os defendessem com convicção e que, ao mesmo tempo, aprovasse seus valores.
Prefeitos, onde as praças dos pedágios estão instaladas, se omitem a respeito, o governador procura fugir do assunto e os usuários das nossas estradas, que os pagam, até concordam com eles, mas deixam evidente que discordam dos valores num único viés; “são caros demais”.
Enquanto isso, não ouvi nenhum depoimento afirmando que os preços são justos ou inferiores aos benefícios que oferecem. Mesmo os que aprovam a sua existência o fazem com certas reservas.
O PT e o seu candidato a governador, o Senador Aloizio Mercadante, na última eleição, avaliaram que os pedágios eram um fiel da balança entre os eleitores e, por assim julgarem, adotaram como mote da campanha a redução dos pedágios. A avaliação foi infeliz porque nem segundo turno tivemos nessa eleição. Geraldo Alckmin (PSDB), eleito, prometeu, durante a campanha, que revisaria os pedágios, em resposta ao que estava prometendo o opositor.
Em 2007, o governo federal privatizou rodovias federais com base num plano elaborado pela ministra Dilma Rousseff da Casa Civil, segundo discurso de Lula.
O modelo de Dilma foi largamente utilizado pelo ex-presidente Lula na campanha eleitoral de 2010 pelo fato dos contratos serem de preços inferiores aos praticados no Estado de São Paulo.
Acontece que a concessão de “Dilma” não deu certo, isto é, a fórmula não funcionou porque as obras prometidas ainda estão no papel; nas regiões pedagiadas acontecem muitos protestos de usuários e muitas ações foram interpostas pelo Ministério Público contra a demora nas melhorias das estradas. As empresas concessionárias alegam que não arrecadam o suficiente para fazerem obras de grande porte e o prazo para as licenças ambientais foram completamente subestimadas no plano de Dilma.
De lá para cá, enquanto os reajustes das rodovias estaduais paulistas foram de 19,3% (de acordo com o IGPM), respeitando os índices inflacionários, as federais foram de 29,4%, quase o dobro da inflação.
Além disso, os prazos para as obras das federais pedagiadas foram sucessivamente prorrogados. Por exemplo, a duplicação da BR-116 (Régis Bittencourt), na Serra do Cafezal, entre Curitiba e São Paulo, que pelo cronograma inicial já deveria estar pronta, até agora nem começou. Durante todo esse tempo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) ameaça multar as concessionárias. Por enquanto ficou só ameaça!
Outro detalhe: um trecho de 35km da BR-101(ES) tem o prazo até 2035 para ser duplicado. Portanto, pagaremos 24 anos de pedágio BARATO para ter esse trecho modernizado daqui a ¼ de século. Com certeza, quando estiver duplicado estará defasado, não atendendo às necessidades e aspirações da região em 2035, pois a duplicação é necessária para resolver os problemas de agora, de 2011. Portanto, a promessa é de resolver o problema de 2011 em 2035; os de 2035 sabe Deus quando!
No início das concessões paulistas em 1990 o pedágio ficou elevado, segundo o governador Mário Covas, porque as obras tinham que ser feitas rapidamente já que estavam atrasadas e São Paulo tinha de ter infraestrutura ajustada às exigências de um estado rico, dinâmico e promissor. Além disso, segundo Covas, o estado de São Paulo tinha sido “quebrado” pelo governo anterior (Luiz Antônio Fleury Filho, sucessor de Orestes Quércia), o que inviabilizava investimentos públicos no setor. Por fim, todas as obras foram realizadas nos prazos contratados e a malha rodoviária atual do Estado de São Paulo é a melhor do Brasil e se equipara às do primeiro mundo.
Diferente do que se propôs o governo federal, o paulista se antecipou aos problemas e, desde 1990, vem se preparando, ano após ano, na velocidade que cada ano exige, até 2011 e os próximos anos. O problema é que a frota de carros, caminhões e ônibus vem aumentando além de qualquer previsão.
A diferença entre as concessões federais e estaduais (diga-se estado de São Paulo) é que a primeira foi POLÍTICA e a segunda, para ATENDER AS NECESSIDADES REGIONAIS ATUAIS E FUTURAS.
A outra opção é incrementar a malha ferroviária. Mas isso é coisa FEDERAL.
Encerrando, vou deixar uma pergunta no ar que será o meu próximo tema: “por que os pedágios existem no Brasil? Na resposta, veremos que eles têm relações com o IPVA, bem diferente do que pensam os que pagam os dois.

Aguardem!

domingo, 25 de setembro de 2011

São todos dedos de uma mesma mão!


O TCU (Tribunal de Contas da União) detectou, numa licitação da Telebrás, que uma obra foi contratada por R$ 121 milhões quando o preço de mercado é de R$ 54 milhões, ou seja, com um superfaturamente de sobrepreço de R$ 67 milhões.

 Ethevaldo Siqueira, jornalista, esperando uma atitude de retidão e integridade de caráter do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, foi ouvi-lo sobre o assunto. Qual não foi a sua surpresa quando o ministro se limitou a criticar o TCU na entrevista! Perguntado sobre questões de ética envolvida no escândalo, o ministro respondeu: “quero que a ética vá para o inferno!”. Indagado se não temia publicação dessa declaração ele se manifestou desafiando: “publique se quiser.” Duvida? Leia a coluna do citado jornalista no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO de hoje (25/9/2011) – página B14.

Nada disso coincide com o conceito que a imprensa quer atribuir a Presidente Dilma, a de “faxineira da corrupção”.

O que o PT e seus militantes, que tanto combateram a corrupção e a falta de ética dos políticos da situação, antes da eleição de Lula como presidente, têm a dizer? Com certeza dirão que repetem o que sempre foi feito nesse país, dando eco do que o Lula sempre se justificou, como papagaios. E a promessa de mudar o país e acabar com a corrupção? Onde ela está? Morreu? Ou foi simplesmente uma falácia a mais?

Pelo visto, o que PT fazia antes de 2002 era só encenação para conquistar e convencer os eleitores visando se apossar do poder e, nisso foi bom, pois conseguiu enganar a grande maioria. E depois de assumir o poder mostrarou-se como sendo iguaizinhos aos outros que tanto escarnecia, ridicularizava, humilhava e rebaixava. Agora, que passou a fazer justamente do que tanto criticava, merece, tanto quanto os outros, a ser também achincalhado. É o que faço!


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Rumo à incompetência

Segundo Princípio de Peter, num sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até o seu nível de incompetência ("In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence").

Como corolário desse princípio podemos afirmar que o mundo está sendo ocupado, aos poucos, e cada vez mais, por incompetentes.

Senão, vejamos.

Um profissional, como um professor, por exemplo, que se mostra muito competente como tal acaba, justamente por esse motivo, sendo promovido a coordenador. Se na nova função ele também demonstra habilidade e competência será novamente promovido e, desta vez, para o cargo de coordenador geral. Se também revelar competência será, com certeza, galgado ao cargo de Diretor e assim por diante. Caso não se mostre competente para o cargo que ocupa, não será mais promovido e, como a "despromoção" é inviável sob muitos aspectos, inclusive o legal (Leis Trabalhistas), o profissional será mantido no cargo - para o qual é incompetente - por um tempo até ser despedido ou nele permanecerá até sua aposentadoria por amparo legal ou porque a sua dispensa é tão custosa que mantê-lo é mais em conta.

O resultado de tudo isso é que cada vez mais os cargos mais altos das empresas são ocupados por maioria de incompetentes.

Moral da história: a competência conduz à incompetência!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cota é mérito?

       As discussões sobre o sistema de cotas das universidades aparece, na imprensa, com certa frequência. Mas, em nenhuma delas notei alguma citação do Artigo XXVI da Declaração Universal dos Direitos Humanos da qual o Brasil é signatário.
       Na  primeira alínea desse Artigo está escrito: Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no MÉRITO.   O grifo é meu.

       Só me resta perguntar: a cor da pele é MÉRITO? Ser descendente indígena é MÉRITO? Estudar em escolas públicas é MÉRITO? Pertencer à família de baixa renda é MÉRITO?
      
       Outra pergunta: será que os nossos governantes que tanto incentivaram a criação das cotas não sabiam que o Brasil deve cumprir com os compromissos que assumiu internacionalmente?

       Ou esses compromissos são apenas para inglês ver!
      

sábado, 17 de setembro de 2011

Essas estatísticas!

A NASA divulgou hoje (17/9/2011) que um satélite desativado pesando aproximadamente 5 toneladas cairá e a probabilidade de um dos seus pedaços atingir alguém é de 1 em 32.000.
A possibilidade de ganhar na MEGA-SENA é de 1 em aproximadamente 50 milhões; de ganhar a QUINA, 1 em 24 milhões.
Como pode se perceber pelos números, é bem mais provável que um fragmento do satélite caia em sua cabeça do que em algum dia ganhe na MEGA-SENA ou na QUINA.
Portanto, nesses dias não saia de casa e fique em lugar com teto reforçado. Quem sabe tenha sorte!!!!